terça-feira, 16 jun. 2026

Chega trava Prestação Social Única e exige debate no Parlamento antes de avançar

André Ventura anunciou o voto contra a autorização legislativa pedida pelo Governo para criar a Prestação Social Única. Partido defende uma discussão mais aprofundada e critica a possibilidade de acesso a apoios sociais sem histórico contributivo.
Chega trava Prestação Social Única e exige debate no Parlamento antes de avançar

O Chega vai votar contra a autorização legislativa solicitada pelo Governo para avançar com a criação da Prestação Social Única, defendendo que uma matéria com impacto no sistema de apoios sociais deve ser discutida em profundidade na Assembleia da República.

O anúncio foi feito esta terça-feira pelo líder do partido, André Ventura, que justificou a posição com reservas em relação aos critérios de acesso previstos para a nova prestação.

Em declarações aos jornalistas, na sede nacional do partido, em Lisboa, Ventura argumentou que a proposta levanta dúvidas sobre a atribuição de apoios sociais a pessoas sem histórico de descontos para a Segurança Social.

"Vamos votar conta por este motivo, porque esta lei permite que quem vem para Portugal receba subsídios sem nunca ter descontado, e isso é errado", afirmou.

Chega rejeita autorização legislativa

Em causa está o pedido de autorização legislativa através do qual o Governo pretende ficar habilitado a legislar por decreto sobre a criação da Prestação Social Única, uma medida que visa reorganizar e simplificar o acesso a determinados apoios sociais.

O Chega considera, contudo, que a relevância do tema justifica um debate parlamentar mais alargado antes da aprovação de qualquer alteração legislativa.

A posição do partido surge numa fase em que o Governo procura reunir apoio político para concretizar uma das medidas previstas no âmbito da reforma do sistema de prestações sociais.

Ventura admite pontos de contacto

Apesar de anunciar o voto contra, André Ventura reconheceu que a proposta governamental contém aspetos que poderão vir a merecer a concordância do partido.

"Tem ideias" que o Chega pode "vir a trabalhar e acompanhar", afirmou o presidente do partido.

Ainda assim, a direção do Chega entende que o modelo apresentado levanta questões que devem ser discutidas pelos deputados e sujeitas a maior escrutínio político antes de qualquer decisão definitiva.

A votação da autorização legislativa deverá agora decorrer no Parlamento, onde o Governo procurará garantir o apoio necessário para avançar com a criação da Prestação Social Única.