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O Chega anunciou este domingo ter solicitado uma reunião urgente ao Presidente da República, António José Seguro, na sequência das alegadas ameaças que diz terem sido dirigidas pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, ao presidente do partido, André Ventura.
Em comunicado, o grupo parlamentar considera que a conduta do governante é "inadmissível" e acusa-o de recorrer à intimidação política, alegando que as declarações ocorreram durante o debate quinzenal realizado a 27 de maio.
Segundo o partido, as alegadas ameaças foram identificadas através da análise de imagens desse debate, divulgadas posteriormente nas redes sociais.
Chega pede retratação do ministro
Na nota enviada à comunicação social, o Chega afirma ter questionado o primeiro-ministro sobre a permanência de Luís Neves no Governo, defendendo que o ministro "foge ao escrutínio" e recorre a alegadas "manobras policiais de intimidação" contra adversários políticos.
O partido apela ainda a uma retratação pública do ministro.
"O exercício do escrutínio democrático, sobretudo quando visa defender o dinheiro dos portugueses, não pode ser bloqueado por intimidação institucional", refere o comunicado.
O Chega refere, à agência Lusa que o partido foi alertado para o episódio logo após o debate parlamentar.
Segundo o partido Luís Neves terá dirigido gestos e expressões a André Ventura, alegadamente afirmando que o iria "fazer pagar" pelas declarações proferidas e que "eles iam cair em cima de nós com toda a carga".
Luís Neves rejeita acusações e fala em imagens "truncadas"
Em declarações ao canal de televisão Now, Luís Neves recusou qualquer tentativa de intimidação e classificou as acusações como falsas.
O ministro afirmou que o vídeo divulgado pelo Chega foi editado e retirado do contexto.
"As imagens estão truncadas", afirmou, acrescentando que o que disse em direção à bancada do Chega foi apenas: "Têm zero, vocês vão ver."
Segundo Luís Neves, a frase fazia referência à audição parlamentar que seria realizada a 17 de junho sobre o sistema SIRESP, defendendo que os acontecimentos posteriores comprovaram o sentido das suas palavras.
"Nunca ameacei ninguém", garantiu o governante.
Presidente da República é chamado a intervir
O Chega considera que o episódio coloca em causa "o regular funcionamento das instituições" e justifica, por isso, o pedido de audiência urgente ao Presidente da República.