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O ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, e o atual governador, Álvaro Santos Pereira, vão ser ouvidos no Parlamento no próximo dia 9 de julho sobre o processo de aquisição e construção do novo edifício do banco central, em Lisboa.
A confirmação foi dada pelo presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Rui Afonso, depois de as audições terem sido sucessivamente adiadas.
Inicialmente, os deputados tinham previsto ouvir Mário Centeno esta quarta-feira, mas a sessão acabou por ser cancelada.
Segundo informações obtidas pela Lusa, os grupos parlamentares pretendem ouvir os dois governadores no mesmo dia. O adiamento ficou a dever-se à participação de Álvaro Santos Pereira no Fórum do Banco Central Europeu, que decorre em Sintra.
Projeto de quase 192 milhões de euros gerou polémica
A audição surge na sequência da controvérsia em torno da construção das futuras instalações do Banco de Portugal nos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, Lisboa.
Em maio de 2025, ainda sob a liderança de Mário Centeno, o banco central anunciou a assinatura do contrato com a seguradora Fidelidade para a aquisição do edifício, por 191,99 milhões de euros, prevendo concluir a operação no final de 2027.
Contudo, uma investigação publicada pelo Observador, em julho de 2025, avançou que o custo total do projeto poderia ascender a 235 milhões de euros, uma vez que o montante inicialmente divulgado dizia respeito apenas às obras estruturais.
A mesma notícia revelou ainda a existência de alertas emitidos por consultores do Banco de Portugal relativamente aos licenciamentos necessários e à eventual necessidade de uma avaliação de impacte ambiental para a construção do parque de estacionamento.
Governo pediu auditoria da IGF
A divulgação destes elementos originou forte polémica política.
Na altura, o Governo, liderado por PSD e CDS-PP, anunciou a intenção de solicitar uma auditoria da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) ao processo de aquisição e construção do novo edifício.
Em setembro de 2025, Mário Centeno foi ouvido no Parlamento e defendeu que o custo da aquisição do imóvel estava totalmente definido.
Segundo o antigo governador, os 192 milhões de euros correspondem ao valor da compra do edifício e não existem incertezas relativamente a essa componente do projeto.
Centeno admitiu, no entanto, que os custos associados ao interior das futuras instalações, incluindo mobiliário, decoração e outros equipamentos, ainda dependiam de decisões posteriores.
Apesar de reconhecer a existência de um orçamento máximo para essa fase da obra, recusou divulgar o respetivo montante, alegando que essa informação poderia influenciar o mercado e condicionar futuras negociações.
Santos Pereira defendeu centralização, mas criticou o momento da decisão
Álvaro Santos Pereira, que substituiu Mário Centeno na liderança do Banco de Portugal no início de outubro de 2025, manifestou-se favorável à concentração dos serviços da instituição num único edifício.
Antes de tomar posse, durante uma audição parlamentar, considerou que a centralização das equipas permitirá poupar recursos e melhorar a eficiência operacional.
Ainda assim, defendeu que "decisões estruturais desta natureza não devem ser tomadas no final de um mandato".
Quanto à auditoria anunciada pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o atual governador sustentou que o Banco de Portugal, enquanto autoridade independente de supervisão, não pode ser auditado por entidades politicamente tuteladas, embora tenha garantido que a instituição colaborará com a Inspeção-Geral de Finanças no âmbito do processo.