Cem personalidades com ligações históricas ao PSD e ao CDS declararam apoio público a Henrique Gouveia e Melo, desafiando a posição oficial da Aliança Democrática que suporta Luís Marques Mendes nas eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Os subscritores - entre os quais se destacam nomes como Alberto João Jardim, Ângelo Correia, António Capucho, Carmona Rodrigues, David Justino, Fernando Negrão, Franciso Rodrigues dos Santos, Valente de Oliveira, Miguel Cadilhe ou Paulo Mota Pinto - justificam a decisão com o momento "histórico delicado" que Portugal atravessa e a necessidade de um presidente com "perfil adequado" às ameaças geopolíticas e ao "perigoso crescimento da intolerância e das forças mais extremistas".
A declaração invoca a célebre frase de Francisco Sá Carneiro sobre prioridades: "Primeiro o País, depois o Partido e, por fim, a circunstância pessoal de cada um de nós".
O documento contextualiza a escolha com a "complexa situação político-militar global" e as "ameaças que consequentemente o projeto europeu enfrenta", bem como o "notório descontentamento com a degradação da qualidade da nossa democracia representativa" e o "fraco desempenho económico e social" desde o início do século.
Os subscritores defendem que Portugal precisa de um presidente que "pelo seu conhecimento e pela sua experiência profissional, tenha o perfil adequado ao momento que vivemos", alguém "profundo conhecedor da geopolítica mundial, europeísta convicto e um democrata capaz de ajudar a impulsionar as reformas de que o regime e a sociedade tanto necessitam".
"Hombridade e retidão do Homem de Estado"
A declaração sublinha que os signatários procuram alguém cujo percurso permita "ser transversal ao conjunto da nossa sociedade, convicto das suas ideias, equidistante de todos os partidos e independente de todo e qualquer interesse corporativo ou setorial, para que as suas decisões possam obedecer exclusivamente à sua consciência e ao superior interesse nacional".
Em Gouveia e Melo, os cem subscritores reconhecem "o cumprimento dos requisitos de independência, de frontalidade, de vontade reformista, de experiência profissional e de serviço à Pátria que devem nortear o Presidente da República Portuguesa", vendo nele "a hombridade e a retidão do Homem de Estado, capaz de rasgar novos horizontes".