terça-feira, 16 jun. 2026

CDS. Delegados da JP autorizados a estar no congresso apesar da impugnação

Congresso estava envolvido em polémica e irá eleger os novos órgãos sociais do partido. Nuno Melo recandidata-se mas vai contar com candidatura concorrente de Nuno Correia da Silva.
CDS. Delegados da JP autorizados a estar no congresso apesar da impugnação

Os 86 delegados da Juventude Popular (JP) eleitos em conselho nacional vão estar presentes no congresso do CDS que se realiza já este fim de semana, em Alcobaça, para eleger os novos órgãos sociais do partido. Em causa estava uma ação de uma impugnação contra a eleição destes delegados que ocorreu na semana passada e que apontava para várias irregularidades à forma como tinha decorrido a escolha dos nomes.

«Tendo em conta que até ao momento o Conselho de Jurisdição da JP não apresentou uma decisão sobre a impugnação apresentada ao Conselho Nacional que aprovou a lista de delegadas da Juventude Popular, a Comissão Organizadora do Congresso (COC) esclarece que os delegados eleitos participarão no conclave que arranca dia 16 de maio», esclareceu, acrescentando ainda que esta estrutura «não interferiu, nem interfirá nas questões internas da JP».

A Comissão Organizadora do Congresso lembrou ainda que a JP é uma organização autónoma» e apelou «a que os jovens populares resolvam as divergências internas, de acordo com os regulamentos e com respeito pelas regras democráticas».

Tal como o SOL avançou, ainda antes deste esclarecimento, a situação poderia ser contornada pela proposta que a secretaria-geral fez à JP para aumentar a quota que está prevista nos regulamentos e que passaria por aumentar mais 20 lugares a atribuir à lista derrotada para a liderança da Juventude Popular. Mas, sabe também o SOL, essa proposta foi rejeitada, sendo que a impugnação não tinha efeito suspensivo e os delegados poderiam participar nos trabalhos.

Recorde-se que, Nuno Melo recandidata-se à liderança dos centristas, e deverá sair vencedor, já que o seu concorrente, Nuno Correia da Silva – que propõe uma rutura com o atual rumo do partido –, tem poucos seguidores assumidos.

O líder recandidato, na sua moção, intitulada Tempo de Futuro, diz que vem consolidar um caminho iniciado em 2022 e que «demonstrou o CDS como um partido fundamental numa direta que soma, mas que também é responsável, garantindo estabilidade ao serviço de Portugal», destacando ainda o regresso ao Parlamento e ao Governo, através da coligação com o PSD, além da presença autárquica e nos governos regionais. «É a partir desta força que, juntos, faremos nestes próximos dois anos do CDS um partido mais forte e mais afirmativo», sublinha.

No documento, Nuno Melo defende também que o CDS «deve ser, cada vez mais, um partido de proximidade, com raízes no território e olhos postos no futuro. Implantar, reforçar e crescer, com os autarcas, com as pessoas, com Portugal», defendendo o envolvimento do partido em questões como o processo de revisão constitucional que, no seu entender, deve ser visto, «não como um drama ou ameaça, mas como uma oportunidade para melhorar a Constituição, sem procurar satisfazer agendas partidárias, problemas e perceções de momento ou de contexto».

A moção destaca ainda o trabalho feito pelo partido na Assembleia da República e no Governo, nomeadamente nas duas áreas em que o partido tem responsabilidades: Defesa e Administração Interna.

À margem da apresentação da moção, e quando questionado sobre as críticas de que a sua liderança tem sido alvo, particularmente sobre a falta de afirmação do partido na AD, Nuno Melo disse apenas que «gostava de ver quem fizesse melhor».

Aliás, essa é umas das críticas da Juventude Popular (JP), cuja moção também vai ser discutida no congresso e que defende que o CDS-PP deve concorrer sozinho a eleições, reafirmando um «projeto político próprio», rejeitando, no entanto, a inércia institucional e defendendo a reconstrução do partido.

Ao Nascer do SOL, o líder parlamento do partido já tinha referido que «o CDS é um partido plural» e que, apesar de não se rever na análise da JP, reconhece-lhe «toda a autonomia». Já quanto à hipótese de avançar sozinho a eleições, Paulo Núncio lembrou que «a natureza de um partido é estar preparado para ir a eleições sozinho» e que a vocação de um partido «é afirmar posições políticas, é defendê-las e é procurar obter a confiança dos eleitores que se revejam nessas mesmas decisões», recordando que tem ido a eleições sozinho, dando como exemplo o que aconteceu na Madeira e nas eleições autárquicas. «Na Madeira elegeu e hoje faz parte integrante do Governo Regional da Madeira. Concorremos a dezenas e dezenas de autarquias sozinhos, aumentámos as presidências das câmaras municipais, reafirmámos e reforçámos o estatuto de 4.º maior partido autárquico português. Nesse sentido, o que a JP diz não é nada diferente do que o CDS já sabe e tem feito nos últimos tempos», salientou.

Recuperar bandeiras

Ao SOL, Nuno Correia da Silva defende que o CDS «tem de criar um espaço próprio e ter fronteiras bem definidas», referindo que «estar no Governo é importante, ter deputados é importante, mas mais importante é a forma como influencia estando no poder». E o candidato não hesita: «Temos de nos fazer sentir com bandeiras próprias, nomeadamente aquelas que sempre foram identitárias do CDS. Fomos o partido dos contribuintes e temos de o voltar a ser».

Já em relação à hipótese de o CDS ir ou não sozinho aos próximos atos eleitorais, o candidato afirma que «o partido tem de ter o seu espaço político e estar preparado sempre para avançar sozinho». E acrescenta: «Se em determinado momento, quando as eleições chegarem, entendermos que a melhor forma de servir o país é irmos coligados e se a coligação for uma de soma de partes e não de divisão de partes então poderá fazer sentido ir coligado».