quinta-feira, 16 abr. 2026

CDS critica saída de constituintes durante discurso de Ventura

Sessão dos 50 anos da Constituição marcada por protestos, abandono da sala e troca de acusações entre partidos
CDS critica saída de constituintes durante discurso de Ventura

A sessão solene dos 50 anos da Constituição da República ficou marcada por polémica, depois de vários deputados constituintes terem abandonado a sala durante a intervenção do líder do Chega, André Ventura — um gesto que o CDS-PP considerou ser “um péssimo serviço à democracia”.

Em declarações na Assembleia da República, o líder parlamentar centrista criticou a atitude dos constituintes, defendendo que, mesmo perante discursos com os quais se discorda, “não se deve virar as costas”.

“Num espírito de liberdade e tolerância, devemos ouvir todos, mesmo aqueles com quem não concordamos”, afirmou Paulo Núncio, lamentando que o incidente tenha “estragado” a cerimónia.

Também André Ventura reagiu ao episódio, lamentando a saída dos constituintes, mas afirmando compreender que tenham abandonado a sala por não gostarem do conteúdo do discurso.

O líder do Chega aproveitou para agradecer o apoio do CDS-PP e de alguns setores do PSD, defendendo que está a emergir “uma nova direita em Portugal” sem receio de revisitar o passado.

Durante a intervenção, Ventura referiu episódios como as FP-25 e criticou decisões históricas relacionadas com amnistias, o que motivou o protesto de vários antigos deputados.

Constituintes falam em insultos e falta de respeito

Entre os que abandonaram a sessão estiveram Helena Roseta e António Mota Prego, que justificaram a saída com alegados insultos por parte do líder do Chega.

Helena Roseta acusou a bancada do Chega de procurar “provocar tumulto” e criticou o comportamento dos deputados, considerando-o incompatível com a dignidade parlamentar.

Já Mota Prego classificou a intervenção como “insultuosa” e “pouco democrática”, defendendo que sentiu necessidade de reagir antes de abandonar a sala.

Reações dividem partidos

O episódio gerou críticas à direita e à esquerda. O secretário-geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, acusou o Chega de desrespeitar os protagonistas do 25 de Abril.

Também Rui Tavares criticou o que classificou como “revanchismo” da extrema-direita, enquanto José Manuel Pureza recusou “alimentar polémicas”.

Do lado do Partido Socialista, José Luís Carneiro destacou o compromisso com os valores constitucionais, enquanto a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, sublinhou que a Constituição “não está escrita em pedra”.

Já Inês Sousa Real considerou não ser o momento adequado para rever a Lei Fundamental.

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, apelou à contenção, lembrando que os antigos constituintes estavam presentes “a convite” do parlamento e que o comportamento dos deputados deve dignificar a instituição.