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A sessão solene dos 50 anos da Constituição da República ficou marcada por polémica, depois de vários deputados constituintes terem abandonado a sala durante a intervenção do líder do Chega, André Ventura — um gesto que o CDS-PP considerou ser “um péssimo serviço à democracia”.
Em declarações na Assembleia da República, o líder parlamentar centrista criticou a atitude dos constituintes, defendendo que, mesmo perante discursos com os quais se discorda, “não se deve virar as costas”.
“Num espírito de liberdade e tolerância, devemos ouvir todos, mesmo aqueles com quem não concordamos”, afirmou Paulo Núncio, lamentando que o incidente tenha “estragado” a cerimónia.
Também André Ventura reagiu ao episódio, lamentando a saída dos constituintes, mas afirmando compreender que tenham abandonado a sala por não gostarem do conteúdo do discurso.
O líder do Chega aproveitou para agradecer o apoio do CDS-PP e de alguns setores do PSD, defendendo que está a emergir “uma nova direita em Portugal” sem receio de revisitar o passado.
Durante a intervenção, Ventura referiu episódios como as FP-25 e criticou decisões históricas relacionadas com amnistias, o que motivou o protesto de vários antigos deputados.
Constituintes falam em insultos e falta de respeito
Entre os que abandonaram a sessão estiveram Helena Roseta e António Mota Prego, que justificaram a saída com alegados insultos por parte do líder do Chega.
Helena Roseta acusou a bancada do Chega de procurar “provocar tumulto” e criticou o comportamento dos deputados, considerando-o incompatível com a dignidade parlamentar.
Já Mota Prego classificou a intervenção como “insultuosa” e “pouco democrática”, defendendo que sentiu necessidade de reagir antes de abandonar a sala.
Reações dividem partidos
O episódio gerou críticas à direita e à esquerda. O secretário-geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, acusou o Chega de desrespeitar os protagonistas do 25 de Abril.
Também Rui Tavares criticou o que classificou como “revanchismo” da extrema-direita, enquanto José Manuel Pureza recusou “alimentar polémicas”.
Do lado do Partido Socialista, José Luís Carneiro destacou o compromisso com os valores constitucionais, enquanto a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, sublinhou que a Constituição “não está escrita em pedra”.
Já Inês Sousa Real considerou não ser o momento adequado para rever a Lei Fundamental.
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, apelou à contenção, lembrando que os antigos constituintes estavam presentes “a convite” do parlamento e que o comportamento dos deputados deve dignificar a instituição.