terça-feira, 21 jul. 2026

Carneiro critica viagem de Montenegro aos EUA: "É incompreensível" deixar o país em alerta para assistir ao Mundial

Líder do PS considera que o primeiro-ministro devia permanecer em Portugal numa altura de elevado risco de incêndios e acusa ainda o Governo de não ter dado explicações suficientes sobre os problemas nos exames nacionais.
Carneiro critica viagem de Montenegro aos EUA: "É incompreensível" deixar o país em alerta para assistir ao Mundial

O secretário-geral do PS criticou, esta segunda-feira, a deslocação de Luís Montenegro aos Estados Unidos para assistir ao jogo de Portugal nos oitavos de final do Mundial de futebol, considerando que a viagem acontece numa altura em que o país enfrenta uma situação de alerta devido ao risco de incêndios rurais.

À margem de uma visita à Estação de Biologia Marinha do Funchal, na Madeira, José Luís Carneiro afirmou esperar que o primeiro-ministro "tivesse os pés no país", classificando como "incompreensível que, numa altura em que o Estado decretou a situação de alerta" esteja "fora do país para assistir ao futebol".

O Governo declarou, na passada quinta-feira, a situação de alerta entre sexta-feira e segunda-feira devido às temperaturas elevadas e ao agravamento do risco de incêndios. Entretanto, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu que essa situação poderá prolongar-se ao longo da semana, face às previsões de calor intenso.

O líder socialista recordou ainda que, em 2022, o então primeiro-ministro António Costa e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cancelaram uma deslocação oficial a Moçambique devido à gravidade da situação dos incêndios em Portugal.

Críticas também à gestão dos exames nacionais

José Luís Carneiro aproveitou igualmente para apontar críticas à atuação do Governo na sequência dos problemas registados na correção dos exames nacionais.

O secretário-geral do PS defendeu que "não apenas é grave não estar cá na altura em que o país está em situação de alerta, como é grave também que o primeiro-ministro não tenha uma palavra, um pedido de desculpas às famílias", acrescentando que o chefe do Governo deve explicar "o que é que está a ser feito para garantir a confiabilidade e a segurança nos termos em que os alunos são avaliados para efeito de candidatura ao ensino superior".

Questionado sobre a possibilidade de o PS viabilizar a comissão parlamentar de inquérito proposta pelo Bloco de Esquerda, José Luís Carneiro afirmou que espera primeiro que o Governo esclareça o sucedido e transmita confiança às famílias.

Caso essas explicações sejam consideradas suficientes, disse, "a comissão de inquérito não será necessária". Caso contrário, garantiu que os socialistas irão ponderar essa possibilidade.

Na sexta-feira, o Ministério da Educação anunciou o adiamento da divulgação dos resultados da primeira fase dos exames nacionais e da segunda fase das provas, na sequência de falhas no processo de avaliação eletrónica. Apesar dos atrasos, o Governo mantém previsto o arranque das candidaturas ao ensino superior para 20 de julho.