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No dia 11 de fevereiro, o PS enviou aos militantes um convite para a apresentação do livro Vencer os Tempos, da autoria do secretário-geral, José Luís Carneiro. O lançamento estava marcado para sexta-feira, 13, às 18h30, no Clube Fenianos Portuenses. «Contamos com todos», rematava o e-mail. Nesse dia, Portugal já contabilizava 15 mortos e milhares de desalojados devido às cheias e tempestades. Havia estradas interrompidas, habitações submersas e operações de evacuação em curso. Os telejornais deram conta do desaparecimento de um casal que circulava de carro em Montemor-o-Velho. Horas antes do convite, demitira-se a ministra da Administração Interna. O líder do PS foi o primeiro a reagir. «É a prova de que o Governo falhou», proclamou, por «chegar tarde e a más horas» em apoio às populações. Carneiro aproveitou para recordar que «já na altura dos incêndios florestais, o partido do Governo estava em festa no Algarve». O convite foi recebido com estupefação nalguns círculos socialistas. Apresentar um livro político naquele cenário era visto como uma gafe sem explicação: «Bem prega o secretário-geral, olha para o que ele diz, esquece o que ele faz». No dia seguinte, véspera do evento, José Luís Carneiro emitiu novo e-mail a desmarcar a apresentação. O lançamento de Vencer os Tempos ficou adiado sine die. Carneiro marcou para esta noite uma «sessão com militantes e simpatizantes» na sede da Federação Distrital do Porto.