terça-feira, 21 jul. 2026

António José Seguro destaca investigação em saúde como oportunidade para Portugal e pede maior valorização da ciência

O Presidente da República defendeu esta segunda-feira que a investigação em saúde representa uma das maiores oportunidades para o futuro de Portugal. Durante uma visita ao i3S, no Porto, António José Seguro alertou para a "invisibilidade" da ciência portuguesa e apelou a um apoio mais consistente à investigação
António José Seguro destaca investigação em saúde como oportunidade para Portugal e pede maior valorização da ciência

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta segunda-feira que a investigação em saúde constitui uma das maiores oportunidades para o desenvolvimento de Portugal, destacando a qualidade da ciência produzida no país e apelando a uma maior valorização pública dos investigadores.

As declarações foram feitas no final de uma visita ao Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, onde contactou com várias equipas científicas, visitou laboratórios e conheceu projetos de investigação centrados na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças.

"Em cada uma das salas percebi, confirmei, o espírito do que já foi aqui anunciado: qualidade, excelência, cooperação e partilha. Sempre com foco no doente, no paciente, e, se possível, evitar que seja doente através da vossa investigação. Bravo, parabéns", afirmou.

"Portugal tem ciência de referência internacional que poucos conhecem"

Durante a intervenção no Auditório Mariano Gago, António José Seguro retomou uma questão que, segundo disse, o acompanha desde que iniciou o contacto com o país, ainda antes da eleição para Presidente da República.

"Porque é que Portugal tem ciência de referência internacional que a maioria dos portugueses não conhece?", questionou.

O chefe de Estado considerou que muitos investigadores continuam "praticamente invisíveis", apesar de o país possuir capacidades científicas comparáveis às das nações mais desenvolvidas.

Na sua opinião, Portugal necessita de uma estratégia duradoura que permita dar maior visibilidade à investigação científica, independentemente dos ciclos políticos.

"A invisibilidade da ciência tem um custo"

António José Seguro defendeu que o desconhecimento da investigação produzida em Portugal vai muito além de um problema de comunicação.

"Esta invisibilidade tem um custo. Não é apenas um problema de comunicação. É um problema democrático", afirmou.

Segundo explicou, uma sociedade que desconhece as suas capacidades científicas tem maior dificuldade em tomar decisões informadas, exigir um financiamento consistente para a ciência e atrair novos investigadores e profissionais altamente qualificados.

O Presidente acrescentou ainda que a saúde deve ser encarada não apenas como um direito fundamental, mas também como "uma das maiores oportunidades económicas e sociais do século".

Porto quer reforçar ecossistema de inovação

Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, considerou que a visita presidencial representa um sinal de reconhecimento da importância da investigação científica para o desenvolvimento do país.

O autarca defendeu o reforço da transferência de conhecimento entre universidades, centros de investigação e empresas, com o objetivo de fixar talento qualificado e criar emprego de maior valor acrescentado.

Pedro Duarte recordou ainda o memorando de entendimento celebrado entre o município, a Universidade do Porto e o Politécnico do Porto para desenvolver um ecossistema de inovação que reúna instituições de ensino superior, empresas e centros de investigação.

i3S quer liderar próxima fase da ciência portuguesa

Também o reitor da Universidade do Porto, Pedro Nuno Teixeira, agradeceu a visita presidencial, considerando-a um reconhecimento institucional do trabalho desenvolvido pelo i3S, precisamente no ano em que a instituição assinala o seu 10.º aniversário.

Já o diretor do instituto, Cláudio Sunkel, afirmou que o objetivo passa por tornar o i3S "um dos motores da próxima fase da ciência em Portugal".

Recorrendo à metáfora da plantação de uma árvore, o responsável defendeu que o investimento contínuo na investigação é essencial para o futuro do país.

"Quando plantamos uma árvore, nem sempre sabemos quando dará frutos. Mas sabemos que, sem esse gesto inicial, não haverá floresta. O i3S quer ajudar Portugal a cultivar essa floresta do conhecimento, em que a ciência seja reconhecida como uma das mais nobres formas de servir o país", concluiu.