André Ventura: "A esquerda de hoje é a nova PIDE"

Disse que Portugal precisava de três Salazares e, em entrevista por escrito, defende que foi o 25 de Novembro, e não o 25 de Abril, que trouxe a liberdade. Acha que a esquerda, ‘quando não concorda, tenta calar, censurar e prender’.

Disse recentemente que Portugal precisava de três Salazares, presume-se que para ‘pôr o país na ordem’. Considera Salazar um político exemplar, um modelo a seguir?

Creio que ficou claro o que quis dizer com essa expressão que é, aliás, uma expressão popular. O país precisa de ordem e de segurança e não é preciso fazer uma tese sobre esta matéria, basta abrir os jornais diariamente para ver como o crime se está a normalizar em Portugal.

Quais as qualidades que mais admira nele?

O facto de ter chegado pobre à política e assim se ter mantido, sem se ter aproveitado do dinheiro que era dos portugueses e de ter posto o país em ordem, tanto financeiramente como a nível das relações externas. Não nos podemos esquecer que conseguiu que Portugal se mantivesse neutro durante a Segunda Guerra Mundial, tendo-nos mantido geoestrategicamente importantes. Se conseguíssemos olhar para aquela época sem palas de esquerda nos olhos, todos conseguiríamos ver que houve coisas boas e coisas más.

E quais considera as maiores obras ou realizações do Estado Novo?

O que nos diz a História é que foi durante o Estado Novo que se construíram mais escolas, contribuindo para o aumento da taxa de alfabetização em Portugal, bem como outras construções que ainda hoje são importantes, como o Viaduto Duarte Pacheco e a ponte hoje conhecida como Ponte 25 de Abril ou aqueles que ainda hoje são os maiores hospitais do país: Santa Maria e São João.

Gostaria de ser visto como um novo Salazar?

Gostava de ser visto como o maior Presidente de todos os tempos no que à luta contra a corrupção diz respeito. Gostava que se lembrassem de mim como o campeão da luta contra a corrupção e como aquele que colocou os interesses de Portugal sempre em primeiro lugar.

Não gosta da liberdade que o 25 de Abril trouxe? Não gosta de poder dizer o que pensa e de poder discordar do Governo sem ser prejudicado por isso?

Eu gosto da liberdade que o 25 de Novembro trouxe, porque, até novembro, não vigorava a liberdade de imprensa, por exemplo. Basta recordar o caso de Vera Lagoa que, por escrever artigos a criticar o regime militar que dominava o governo, foi chamada ao COPCON e foi alvo de mais do que um atentado à bomba. A liberdade é muito importante, mas muitas vezes é condicionada por pessoas que acreditam ser as donas disto tudo, por três ou quatro famílias que têm o monopólio da economia nacional. Gostava que a nossa liberdade fosse mais longe e ultrapassasse estes elitismos económicos e sociais.

Aprova os métodos da PIDE? A vigilância, perseguição, prisão e tortura de quem representava uma ameaça para o regime?

Eu aprovo os métodos da democracia: liberdade a todos os níveis, pluralismo político, segurança, justiça e debate. Eu defendo a liberdade de falar com as pessoas e para as pessoas, ao contrário da esquerda que, quando não concorda, tenta calar, censurar e prender. Este julgamento por causa dos outdoors [com uma mensagem sobre ciganos que um tribunal de Lisboa obrigou a retirar] é a prova disso mesmo. A esquerda de hoje é a nova PIDE dos discursos.

Não lhe parece que o regime levou longe de mais a Guerra Colonial? Que, face aos ventos de mudança que sopravam em todo o mundo (e sem o apoio dos EUA) era impossível para um pequeno país como Portugal manter as colónias?

O contexto internacional mostrava que Portugal não iria conseguir manter o seu Império Ultramarino e foi um erro não termos tido a capacidade de interpretar os ventos da mudança, o que levou a um processo de descolonização erróneo e falhado, tanto para os continentais que viviam nas províncias ultramarinas, como para os povos originários daqueles territórios. Todos perderam com o processo vergonhoso de descolonização gerido por Mário Soares que deixou ao abandono milhares de pessoas, conhecidas como os retornados, que regressaram a Portugal com uma mão à frente e outra atrás. Mas não só. Foi desumana a forma como trataram estas pessoas, mas também os antigos combatentes. Hoje a guerra colonial serve para mascarar o erro clamoroso que foi o processo de descolonização e a forma como a esquerda tratou os retornados e os antigos combatentes.

Acha que fazia sentido Portugal ter, na época, das maiores reservas de ouro do mundo enquanto muitas regiões do país permaneciam num grande atraso e havia quem passasse fome?

Não fazia sentido, tal como hoje não faz sentido haver políticos que, com negociatas, enchem os bolsos enquanto uma boa parte da população passa por dificuldades. O Banco Alimentar Contra a Fome já avisou que há cada vez mais pessoas a pedir ajuda, nomeadamente casais empregados, mas cujos salários não são suficientes para fazer face ao custo de vida. Isto não faz sentido absolutamente nenhum.

Passados mais de 50 anos sobre a sua morte, Salazar ainda é tabu? Ainda não conseguimos ter um olhar distanciado e desapaixonado sobre a figura e o seu legado?

É difícil ter uma visão puramente histórica e ideologicamente livre quando as escolas e as universidades são ainda dominadas por militantes ativos de esquerda que doutrinam os nossos jovens e crianças com uma versão falseada da história. Se se estuda o 25 de Abril nas escolas, por que não se estuda o 25 de Novembro?

Concordaria com um museu dedicado a Salazar e ao Estado Novo?

As grandes obras arquitetónicas e de engenharia estão à vista de todos.

Era capaz de ter um retrato de Salazar no seu gabinete?

O que tenho no gabinete é a bandeira de Portugal.

 

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