domingo, 18 jan. 2026

A única candidata mulher quer cuidar da democracia

No seu currículo conta com mais de uma década na liderança do BE, 14 anos como deputada e mais recentemente como eurodeputada
A única candidata mulher quer cuidar da democracia

Catarina Martins é um rosto conhecido dos portugueses. Depois de ter sido líder do Bloco de Esquerda e, apesar de ocupar atualmente o cargo de deputada, avançou pela primeira vez como candidata às eleições presidenciais. Trata-se – nas suas próprias palavras – de «uma candidatura inspirada na força solidária, que faz pontes, que ouve e aprende com quem constrói Portugal todos os dias. E, claro, com a combatividade da mulher que sou. A minha candidatura coloca no centro o cuidado. Quero cuidar da democracia, cuidar dos bens comuns, cuidar da paz. Cuidar da igualdade e da liberdade. Juntar forças para devolver a confiança da democracia».

Mais tarde, explicou que a ideia de avançar surgiu de uma profunda insatisfação com o panorama político atual, onde sentia que os políticos estavam demasiado focados em si próprios, em vez de abordarem os problemas reais do país. «Há muita gente a candidatar-se mas pouca gente a falar do país»,salientou.

E, tal como acontece com outros candidatos de esquerda, prometeu levar a sua corrida até ao fim, tecendo críticas a António José Seguro, que chegou a apelar a que avaliassem a possibilidade de desistirem das suas candidaturas a Belém em seu favor. «António José Seguro, quando foi o tempo da troika, preferiu viabilizar orçamentos que até iam contra a Constituição da República Portuguesa e, portanto, não me podem pedir para eu não cumprir aquele que é o mandato primeiro de quem se candidata à Presidência da República: cumprir a Constituição, defender as instituições do Estado de direito democrático, defender o país, defender a população», justificou a candidata presidencial. 

Catarina Martins entrou no Bloco de Esquerda em 2010 – apesar de um ano antes ter sido eleita deputada na Assembleia da República como independente pelas listas do BE – e rapidamente chegou à liderança do partido (2012), apesar de inicialmente ter dividido o cargo com João Semedo, virando a página do até então líder inquestionável, Francisco Louçã.

 A partir de 2014 assumiu, sozinha, as rédeas do partido, tendo levado o Bloco ao melhor resultado da sua história – com mais de meio milhão de votos, 19 deputados, tornando-se a terceira força política no Parlamento – nas legislativas de 2015. No mesmo ano assina um acordo com o PS e, juntamente com PCP, tornou  possível a António Costa a ascensão a primeiro-ministro, apesar de aliança PSD-CDS liderada por Pedro Passos Coelho ter sido a força política mais votada. E assim nasceu a ‘geringonça’. 

Em 2019, ainda conseguiu manter o partido como terceira força política, mas nas eleições antecipadas de 2022, na sequência do chumbo do Orçamento do Estado, o partido registou um dos piores resultados, vendo a sua bancada ser reduzida a cinco deputados com o PS de António Costa a obter maioria absoluta. 

Catarina Martins abandonou o cargo de coordenadora do partido em 2023, dizendo que é «um sinal do fim de um ciclo político» e deixou de ser deputada, depois de 14 anos no Parlamento.

Em março de 2024, foi escolhida como cabeça de lista do BE às europeias, conseguindo assegurar a sua eleição, mas ficando sozinha no Parlamento Europeu. 

Catarina Martins nasceu no Porto em 1973, é mãe de duas filhas, passou parte da infância em África, aliás fez os primeiros anos da escola em São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, onde os pais professores trabalharam como cooperantes. Aos nove anos, regressou a Portugal e viveu em várias cidades, como Aveiro, Vila Nova de Gaia, Lisboa e Coimbra, onde começou por frequentar o curso de Direito e deu início a uma carreira no teatro, tendo fundado uma companhia de teatro profissional em 1994, no Porto. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas e tem ainda um mestrado em Linguística e frequência de doutoramento em Didática das Línguas.