Sofia Aureliano

Ucrânia: os diferentes palcos da guerra

Como nunca antes, o mundo ocidental está apto a acompanhar todas as movimentações, testemunhar os obstáculos logísticos das duas partes e a desproporção das forças e sustentar uma formação de opinião generalizada.

Causas (quase) perdidas

Esta semana é dedicada a frustrações que inquietam. Violência, maus-tratos, agressões. Às pessoas e à língua. Cada uma com o seu peso e medida, são causas silenciosas que, se não são feitas tema, acabam perdidas.

A vida vai continuar a custar

Como que encurralados numa espiral obsidente da Lei de Murphy, as crises e as dificuldades acrescidas que delas advêm afetam sempre aqueles que são mais frágeis e já se encontram em contextos debilitados. É perfeitamente antecipável que aqueles que têm menor rendimento são os que irão sentir, de forma mais severa, abrupta e desequilibrada, cada cêntimo a menos no bolso.

Baralha e volta a dar

A vantagem de um governo ter maioria absoluta é que pode pôr e dispor sem dar cavaco a ninguém. E sem olhar a consequências ou querer saber de suscetibilidades feridas. Mas engana-se, António Costa, se acha que ter a maioria lhe retirará o escrutínio. Pelo contrário.

A arte de comunicar em tempos de guerra

Na angústia e na incerteza, somos mais condicionados do que o cão de Ivan Petrovich Pavlov. Se nos dizem para não entrarmos em pânico, é certinho que o nosso nível de cortisol dispara. Talvez nem sequer ainda tivéssemos pensado sobre a hipótese de nos faltarem bens essenciais. Mas o facto de nos assegurarem que eles não irão faltar, alerta-nos para a possibilidade dessa consequência e alimenta-nos a suspeita de que efetivamente faltarão.

As guerras de que somos vítimas

Precisamos da ajuda dos meios de comunicação para nos recuperarmos do estado de agonia coletiva em que nos encontramos. Descrever a agonia exaustivamente, de todos os ângulos e ao minuto, não contribui para a resolver nem nos alivia a dor. Agrava-a extraordinariamente. Empurra-nos mais um pouco para o fundo.

O Dia Internacional da Mulher faz sentido?

O nosso olhar ocidental pode limitar-nos o alcance, justificando alguma miopia na interpretação dos factos. Somos filhos do privilégio e, pelo continente Europeu, são mais as vitórias a celebrar do que os obstáculos no caminho. Neste contexto, Portugal volta a estar na cauda da fila.

A guerra e a moral

O mundo está neste momento a condenar a Rússia pela injustificada invasão de um país soberano e independente. Mas o mesmo mundo apoia o uso da força militar por parte dos invadidos, legitimando-o com a necessidade de defender o seu território, a sua liberdade, o seu povo. A mesma guerra tem dois protagonistas, nesta história que globalmente se conta. O vilão sem moral e o herói improvável cujo bom caráter se engrossa à medida que vai dando o corpo às balas. Nesta narrativa, a mesma guerra tem e não tem moral.

A ditadura da inclusão: bom senso precisa-se!

Estão a retirar às crianças o sonho, censurando as histórias de encantar de príncipes e princesas, bruxas e dragões, porque não traduzem o dia-a-dia que ser inclusivo. Mas porque raio têm de traduzir? São histórias de encantar. Porque lhes atribuem significados que não têm e lhes deduzem ideais que não defendem?

O Estado da Saúde e a dança das cadeiras

Agora que o Partido Socialista já não tem de ceder a golpes de chantagem da esquerda, nem tem de ser cauteloso para não desagradar a putativos parceiros e agentes de viabilização do governo, talvez António Costa possa reconhecer o mérito da solução apresentada pelo PSD para contornar a incapacidade de resposta do sistema de saúde a tamanha procura e atos protelados. Talvez o primeiro-ministro possa focar-se na concretização do melhor objetivo para os portugueses, em detrimento de manobras de diversão e “diz-que-disses”.

Banir o Chega protege a democracia ou fere-a de morte?

Como pode o governo justificar que não recebe o Chega, a terceira força politica com assento parlamentar, que representa a vontade de mais de 385 mil portugueses? Legalmente, pode argumentar que nada obriga o governo a receber qualquer partido. Logo, nada o obriga a receber o Chega. Mas democraticamente, não. Porque o Chega é, até sentença contrária, um partido legal e, quer se goste quer não, tem assento parlamentar. Se Costa recebe todos os partidos, não pode dizer que recebe todos menos um. Cuja representação foi conseguida por voto popular, em eleições democráticas. 

Azia do day after

Mais do que um líder, o que o PSD precisa, no imediato, é de um capitão que não se coíba de abraçar como causa maior (apenas) levar o barco a bom porto. Que não esteja limitado na ação pela ambição pessoal de comandar, no futuro, o país. Precisamos de alguém que tenha como desiderato único aportar numa plataforma de entendimento, de reflexão interna, de auscultação da sociedade e de aferição das que serão as necessidades futuras. Do país e dos portugueses.