Se calhar, comecei mal ali no título. Não faz falta? Claro que faz falta. Há um vazio no ego de muitas pessoas que é maior que o do estômago do Luaty Beirão dias atrás. Há que correr, lutar, sacrificar, sofrer e fazer sofrer, dar tudo para tentar, apenas tentar, preenche-lo. Temos de comprar, temos de pertencer, temos de nos destacar, ser mais que, ser diferente de. Temos de estar impecáveis quando saímos à rua, tão impecáveis que nos disfarçamos de gente tranquila sem problemas abissais de auto-estima. Depois chegamos a casa e afundamo-nos de novo num poço de merda.
O sistema de saúde está decrépito. Os médicos queixam-se, os enfermeiros manifestam-se e os auxiliares não querem auxiliar assim. A segurança social está falida, os desempregados são miseráveis e os pensionistas sentem-se mais traídos que uma maior vítima de uma novela da TVI. O Metro está em greve. A Carris está em greve. A CP está em greve. Os pilotos estão em greve. Só os tuk-tuks é não estão em greve mas já ninguém pode com esta praga desregulada e o turismo à balda que ninguém controla. Depois, temos ainda os professores que não querem ser avaliados, os polícias que são mal pagos, os artistas que são ignorados e os estagiários que são escravizados. As políticas são injustas, os escalões do IRS são desastrosos para a sociedade, a economia está pior que nunca. Tudo mau, péssimo, horrível, sofrível.