Ricardo Borges

Resilientes a quê?

O problema começa quando deixamos de tratar a resiliência como uma virtude extraordinária e passamos a desenhar a sociedade como se todos a possuíssem.

Matámos o tédio 

Eu próprio dei por mim, há dias, a pegar no telefone enquanto esperava que a torradeira terminasse a sua função. Trinta segundos. Não aguentei trinta segundos de vazio. 

A sensação de saber

Conhecer é um processo lento e desconfortável, que obriga a um gesto ao qual tendemos a resistir: admitir que não sabemos. Já a sensação de conhecer é instantânea.

A Europa dos 27 mercados

Em 2024, Mario Draghi apresentou um dos diagnósticos mais claros sobre a economia europeia das últimas décadas. O relatório confirma o que muitas empresas já sabem: crescer dentro da Europa implica enfrentar obstáculos em quase todas as etapas.

Às duas da manhã

No último ano, entraram na União Europeia quase seis mil milhões de encomendas de baixo valor. É uma escala que a alfândega não consegue comportar, que a concorrência local não consegue aguentar e que o ambiente não consegue absorver.

Delegamos a vida ao algoritmo?

A IA pode ajudar, mas não substitui a responsabilidade humana. Pode sugerir, mas alguém tem de responder por ela. 

A Hierarquia da indignação

O nosso mecanismo de defesa é a fadiga. A compaixão, suspeito, tem um limite. E nós gastamo-lo todo nas catástrofes em alta-definição, nas que nos permitem tomar partido, com a segurança moral de quem escolhe uma equipa de futebol. As outras, as esquecidas, geram um incómodo diferente, o da cumplicidade difusa, da impotência geográfica, ou do tédio perante a complexidade. É mais fácil mudar de canal.