Pedro Vale Gonçalves

Porquê ter medo da morte se há flores nos cemitérios

Aos músicos, à vida. Ao Carlos Gonçalves Pereira, Ultravioleta, na banda que antecedeu os Heróis do Mar, quarenta anos de amizade e a última palavra dele a pairar acima do caixão: brutal.

O Monstro no Espelho

O CEO em Davos a prometer que a IA vai "democratizar o conhecimento" no mesmo mês em que despede milhares de pessoas para "optimizar com inteligência artificial". O consultor que vende "transformação digital" a quinhentos euros à hora e ainda não percebeu o que é um token. O influencer de LinkedIn a publicar "10 prompts que vão mudar a tua vida" com a solenidade de quem decifrou os manuscritos do Mar Morto.

Morrer por Sexo

Molly, com cancro terminal, explorou a sua sexualidade nos últimos meses de vida, sem pedir desculpa, sem lições de moral, sem transformar a morte em oportunidade de redenção. O escândalo não residiu no sexo, mas antes na ousadia de alguém sentir prazer quando "deveria" estar a despedir-se.

A Ceia de Natal da IA

Os algoritmos não reproduzem ideais, reproduzem hábitos. E os hábitos, quando vistos de fora, raramente são tão nobres como gostamos de acreditar

O Franciscano que ensina algoritmos a ter alma

A questão que a IA nos coloca não é sobre tecnologia, é sobre nós próprios e as nossas organizações

O dia em que a música chorou

Os últimos vinte anos roubaram-nos alguns dos maiores génios de sempre, um por um, como se alguém lá em cima tivesse decidido que já tínhamos música boa demais.

A Síndrome Byron

Hoje, como ontem, não é falta de notícias, é excesso de distração. Byron é o O. J. Simpson e Gaza é o Ruanda. E nós? Nós somos os mesmos imbecis, só que com smartphones.

As Palavras Que Nunca Te Direi. Carta aberta ao ChatGPT

Inventámos-te para nos ajudar, mas começámos a usar-te para nos substituir. E aí começa a traição. Não da tua parte porque tu és apenas uma engrenagem elegante, a cumprir o que te pedem. A traição é nossa, quando aceitamos respostas sem perguntas, conselhos sem experiência, textos sem voz.

O Céu Pode Esperar

Somos ambiciosos e estratégicos no LinkedIn, felizes e bem-sucedidos no Instagram, indignados e certeiros no X e ainda melancólicos e profundos no Spotify. Não mentimos, fragmentamo-nos. Como Joe, habitamos corpos que não são nossos, mas tendemos a esquecer qual era o original.

A Inteligência Artificial Comeu o Meu Queijo

Como nos orientamos num labirinto onde o futuro muda todos os dias.

A Europa e o caldeirão perdido. As Lições de Astérix para um continente em crise

Como gauleses deslumbrados com os presentes exóticos trazidos pelos mercadores fenícios, esquecemos por vezes que cada presente tem um preço e que raramente existe almoço grátis na geopolítica global.

Quando as máquinas se calam. O desafio da autonomia na era digital

Literacia digital torna-se simultaneamente uma questão de justiça social e de soberania