Paulo Portugal em Cannes

Uma bomba em Cannes e a derradeira provocação de Ozon

Quatro dias depois do ataque terrorista em Manchester, Cannes recebe um abalo semelhante com o filme do turco Fatih Akin. Uns defendem a Palma de Ouro para In the Fade, outros demonizam o filme.

O filme de Manoel de Oliveira é o preferido em Cannes

Numa altura em que o júri oficial se reúne para deliberar os eleitos da 68ª edição do festival de Cannes, valerá a pena recordar uma tabela de 45 críticos que atribuiu a classificação mais elevada a Visita, ou Memórias e Confissões, o filme de 68 minutos que Manoel de Oliveira realizou em 1982 e que foi apresentado na secção Cannes Classics. Fica então como uma espécie de Palma de eterno reconhecimento.

Miguel Gomes: 'É como se tivesse feito o Star Wars de uma vez'

A trilogia As Mil e Uma Noites, sobre o desemprego e os anos da troika  em Portugal, está a fazer furor em Cannes.

Charlize Theron e Catherine Deneuve são as primeiras damas a subir as escadas da passadeira vermelha em Cannes

A mais de 24 horas da abertura do festival e já estava montada a frente de escadotes e cadeiras de praia, devidamente agarradas por cadeados, e ocupadas pelos habituais caçadores de autógrafos e fotografias de stars. Podemos dizer que Cannes adoptou o sorriso oficial de Ingrid Bergman que inunda os painéis do festival para estas duas semanas de cinema, vedetas e negócios. O rosto belíssimo de Ingrid captado pela objectiva de David Seymour, um dos fundadores da Agência Magnum, confere o adequado toque clássico ao certame que tem sido usado nos últimos anos.

Uma orgia de sexo, álcool e dinheiro

Em 2011, quando um alegado caso de abuso sexual a uma camareira do hotel Sofitel de Nova Iorque levou Dominic Strauss-Kahn a abandonar a presidência do FMI e a candidatura à Presidência da República francesa, houve quem logo visse ali o argumento para um blockbuster. Mas poucos esperariam ver um dos mais radicais cineastas de Manhattan a explorar o escândalo. E, seguramente, menos ainda poderiam prever a improvável colaboração entre Abel Ferrara e Gérard Depardieu. Mas bastará olhar para o cartaz de Welcome to New York para perceber que tudo faz sentido. Uma figura imensa, com as mãos algemadas atrás das costas, enfrenta a imprensa. Em baixo, a legenda: “Do you know who I am?” ('Sabes quem eu sou?'), a frase que o ex-presidente do FMI terá dito à vítima.