sexta-feira, 13 mar. 2026

Miguel Somsen

Portugal a ver passar os comboios

À hora em que escrevo esta crónica, a cidade do Porto está finalmente a testar pela primeira vez um transporte público chamado Metrobus. Diz que o Metrobus é uma mistura de eléctrico ou metropolitano com autocarro, mas na realidade é um autocarro com título fino, é como o mecânico a fazer-se passar por doutor. O marketing faz milagres.

A TVI está a ficar quota?

É como atravessar Portugal de carro lés a lés, de Valença a Vila Real de Santo António, sempre com a gala de aniversário da TVI ligada

A semana em que o alerta Tânia Laranjo foi elevado a alerta Sandra Felgueiras

A ressaca das presidenciais passou depressa, Seguro ganhou a segunda volta sem espinhas e depois foi atirado para um gabinete provisório em Queluz, onde permanecerá até tomar posse. Ventura entretanto deixou de aparecer diariamente em “entrevistas exclusivas” nas nossas televisões, o que permitiu a muitos telespetadores voltar a repor o som normal dos seus televisores.

Tânia Laranjo, a Proteção Civil de Portugal

Durante as depressões Leonardo e Marta, a repórter da CMTV bateu Marcelo Rebelo de Sousa aos pontos na quilometragem e alcance do seu exercício, fazendo directos e directas pela região centro e sul do país, vendo as marés a subir e a esperança a descer, enquanto a uma depressão se seguia uma tempestade e nova emergência nacional.

Alerta Laranjo! Como foi passar a noite com a tempestade Kristin na CMTV? Foi uma depressão.

Horas depois, a CMTV chama finalmente Tânia Laranjo a partir de Aveiro. Agora sim, o ciclo está completo, o país está em Alerta Laranjo! O directo dela é curto, sereno, há uma eminência na presença de Tânia Laranjo que a CMTV não se pode dar ao luxo de dispensar. Mas a verdade é que a Tânia esteve uns minutos no ar e voltou a desaparecer, só regressando à emissão hora e meia depois, a partir de Mira.

Terrível a semana de ressaca das presidenciais: Espanha teve quatro acidentes ferroviários, Portugal teve quatro entrevistas ao Ventura

O que se esperava da semana a seguir à primeira volta das presidenciais seria um período de reserva, ponderação, serenidade e debate sobre os resultados eleitorais, mas não o que se viu nas nossas televisões foi bem diferente, as nossas televisões quiseram começar por ouvir André Ventura, uma, duas, três vezes em apenas três dias.

O filme das eleições presidenciais ao minuto, ao segundo, e ao terceiro

A noite não foi afinal assim tão longa, mas deixou tudo em aberto, a começar pela ferida da social-democracia e, por consequência, da democracia em Portugal. Quem tem razão é a CMTV, a contagem decrescente para o fim do mundo começou

Resumo de 2025 para totós

Portugal sobrevive a um apagão, duas eleições, três campanhas eleitorais, e quase cinquenta entrevistas exclusivas a André Ventura nas nossas televisões

Quinta semana de debates presidenciais: Cotrim está out, Seguro está in, Gouveia e Melo está off, F’lipe está flop, e Ventura diz que estão todos contra si

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Quarta semana de debates, a esta hora já os portugueses já devem saber em quem votar, certo? Olhe que não, olhe que não.

No final, Marques Mendes terminou com uma “nota radical”, que foi sugerir que o Governo apoie a distribuição de jornais no interior do país, um bom tema público-privado ao qual Catarina Martins podia ter reagido.

Sim, são muitos debates. Mas não é possível escolher um Presidente sem primeiro os ver vender sabonetes na televisão

Seguro responde à letra: “Marques Mendes diz que é interventivo, mas faz parte do Conselho de Estado há quinze anos, podia ter aconselhado um pacto na justiça, porque é que não o fez?”. Toma e embrulha.

Segunda semana de debates: Ventura não é o candidato da fação, mas da contrafação

Ninguém em casa se riu, bem pelo contrário. Catarina podia ter humilhado Ventura com retórica e factos, preferiu humilhá-lo com escárnio e condescendência. Este foi um daqueles casos em que Ventura teve de descer ao nível de Catarina Martins.