terça-feira, 12 mai. 2026

Isabel Laranjo

Quinta do Loureiro. Era uma vez o Casal Ventoso

A Quinta do Loureiro fica junto à encosta do antigo Casal Ventoso. Herdou os moradores e o tráfico de droga mas o ambiente, diz quem lá viveu, e até traficou, é agora muito pior. Já houve tiros em lutas pelo território e há quem tema sair à rua. Aqui há droga 24 horas por dia e muitos toxicodependentes deambulam pelo bairro. As tendas começam a instalar-se, como antigamente, num ciclo perpétuo que começou com “dois ou três espertos” no final dos anos 80.

João Lopes da Silva. “Não preciso que me digam que sou bom: está estampado na cara dos alunos que me abraçam”

Foi professor durante 44 anos e, apesar de se ter formado em Design, acabou por escolher dar aulas. João Lopes da Silva reformou-se aos 70 anos e, nesta altura da sua vida, prepara-se para editar o seu primeiro livro: ‘O Âmago’. Recebeu-nos na última escola que o acolheu, nas Olaias, em Lisboa, rodeada de bairros problemáticos.

Vicente Lucas. Uma lenda não morre

O último sopro de vida aconteceu ao início da noite de terça-feira, 14. Vicente, a última lenda do Belenenses, tinha deixado de querer alimentar-se e só um fio ténue de soro o mantinha ligado à vida. Tinha 90 anos e para sempre será recordado como o único defesa que “secava” Pelé.

Picheleira. Os donos da droga

Na zona oriental de Lisboa escondem-se alguns dos bairros muito conotados com o tráfico de droga. É na zona da Picheleira que encontramos o Bairro Branco, o Portugal Novo ou a Quinta do Lavrado. Depois de uma grande intervenção policial as bancas de rua acabaram. O tráfico adaptou-se e evoluiu: agora vivem aqui os “senhores” da droga.

Guida Scarllaty. “Um dia a minha mãe gritou-me: ‘Eu tive um filho, não tive uma filha!’”

Arquiteto, Carlos Ferreira/Guida Scarllaty, chegou a trabalhar numa grande construtora mas o 25 de Abril trocou-lhe as voltas. Fundou o Scarllaty Club, em 1975, e estreou-se ao lado do melhor amigo, Fernando Santos/Deborah Kristall. Em criança já se pintava com a maquilhagem da mãe e trabalhou até à pandemia. Garante que se o convidarem volta a transvestir-se em palco. Afinal de contas, aos 83 anos, não dá a carreira por terminada. 

Mouraria. A ‘crackolândia’ de Lisboa 

Homens e mulheres caminham sem rumo pelas ruas da Mouraria. Muitos são sem-abrigo e estão viciados em cocaína crack que consomem em qualquer sítio, à vista de todos. Há zaragatas e comportamentos bizarros. Os traficantes rodeiam-se de vigias e vendem num beco apertado onde a polícia tem dificuldades em chegar.

Chelas. Zona T

No total dos seus bairros esta é a maior área de habitação social de Lisboa. Hoje, os bairros têm nomes bonitos mas antes eram designados apenas por letras. A Zona T nunca existiu mas, para a VERSA, significa o tráfico de droga que ali se pratica. Já a antiga Zona J e Zona M são as que mais se destacam por haver este negócio ilegal, embora de formas distintas. O antigo pugilista Jorge Pina sabe bem o que é o mundo da droga e abriu uma academia desportiva para tirar outras pessoas dessas vidas.

Ameixoeira. Droga de alta cilindrada

As habitações são sociais mas quem aqui vem abastecer-se, sobretudo de cocaína em pó, chega em bons carros e mora em zonas de classe média alta. Há lixo por todo o lado e muitas pessoas sentadas ou a vaguear pela rua. Este é o bairro onde ninguém queria viver e os conflitos entre grupos rivais dão origem a tiroteios frequentes. 

A lei do mais forte

Multidões revoltadas, chuvas de pedras, vandalismo. Chamado a resolver as situações mais complicadas, o Corpo de Intervenção da PSP está habituado a lidar com a violência. Agora que celebra 50 anos, recordações não faltam e algumas cruzam-se com momentos da História recente do país.

‘Deitem o prédio abaixo connosco cá dentro’

Há mais um prédio no caminho da expansão da linha vermelha, em Alcântara. O Metro oferece 100 mil euros a cada família ou realojamento. Mas os moradores temem ficar sem casa e exigem condições de arrendamento idênticas às que tinham.

Luís Paulino Pereira: “É preciso pôr o dedo na ferida e dizer que isto pode custar votos”

O diretor clínico e médico da Casa do Artista tem ideias bem definidas para uma restruturação profunda do SNS. Com humor, garante que se fosse ministro tomaria tantas medidas que seria demitido “logo no dia seguinte”. O cronista do SOL acaba de lançar o seu terceiro livro – Dos Palcos da Vida até à Casa do Artista –, repleto de histórias vividas num mundo onde o tratam por “médico dos artistas”.

O meu filho é gay

Há pais que garantem ter pressentido que a orientação sexual dos filhos era diferente da heterossexualidade. Outros foram apanhados de surpresa. A VERSA foi ao encontro de três casos e descobriu que ainda há muito preconceito - sobretudo fora da família nuclear - e algum sofrimento por parte dos homossexuais até conseguirem lidar com a sua verdade.