Filipe Nunes

O Matuto e os Provérbios Populares

O Matuto gosta de provérbios populares. Influência do Sr. João, ilustre pai do Matuto, que chegou a coleccionar provérbios para futura publicação. Um adágio que lhe caiu no goto foi: um homem é um homem, e um rato é um rato. Aqui fica patente a diferença entre cobardia e galhardia.

O Matuto e a Fadiga Sensorial

O Matuto sempre foi ligeiramente surdo. A primeira coisa que Dona Sirlei, a gentil esposa do Matuto, faz quando entra no carro do casal, é baixar o volume do som.

O Matuto e os Sete Sapatos Sujos

E foi ali, entre o pão com azeitonas e a estranheza dos sapatos deixados à porta das mesquitas, que o Matuto percebeu que talvez também nós devêssemos aprender a andar pela vida mais descalços. Há sapatos sujos que se colam aos pés sem darmos por isso. E talvez fosse de bom tom deixá-los à soleira da porta. Sentir o chão.

O Matuto e o Outono da Vida

O Matuto dá as boas-vindas ao Outono.

O Matuto e o Anjo da Morte

O Matuto sonhou.

O Matuto e o Lobo Antunes

O Matuto está posto em descansos telúricos. Morreu António Lobo Antunes. É certo que já há algum tempo que o seu corpo invejava o pó. Agora habita nele. Na opinião do Matuto há escritores que rabiscam histórias. Outros armam-se em carapaus de corrida. Outros saramagam em arremedos de pimpão. Outros lanzaroteiam ideias coladas com cuspo. E depois existe António Lobo Antunes, que parece escrever como quem escava.

O Matuto e o Ginásio (Academia no Brasil)

Este frenesim do corpo perfeito, de estar em forma, de fazer dietas, é um capricho bizarro. Uma extravagância!

O Matuto e o Café

O Matuto suspeita que a civilização se construiu menos sobre grandes ideias e mais sobre pequenos vícios toleráveis

O Matuto o Carnaval e as Cinzas

O Matuto não dá confiança a andanças carnavalescas. Para o Matuto a “festa da carne” é decadente e bárbara. Na ‘Casa das Pontes’ o carnaval fica à porta. Na realidade a festa que acontece do lado de fora da casa tem marcas profundas na literatura brasileira.

O Matuto e a Ingrid, o Joseph, a Kristin, o Leonardo e a Marta

Um cavalheiro não se perde em minudências, nem dá confiança a tempestades com nome próprio. Era só o que faltava!

O Matuto e a Melga/Pernilongo

Este bicharoco é maldoso. Cruel. Fica a rodopiar na cabeça da gente até provocar automutilação involuntária. O ser humano passa a vida a dar bofetadas nas próprias orelhas como se estivesse em guerra consigo mesmo. Não há estatística fiável que prove a morte de um único pernilongo à estalada. Mas a humanidade insiste. E as orelhas sofrem. Uma maçada!

O Matuto e os Carecas

Nalguns casos é notório o tratamento das zonas periféricas. É vê-los a pentearem-se de modo a aproveitar ao máximo os tufos de cabelo, esticando-os até ao limite. Nunca desprezam o valor dum rebento peludo! Compram tónicos capilares, submetem-se a massagens do couro descabeludo, e sonham com implantes de jubas leoninas, melenas femininas e crinas cavalares.