Filipe Nunes

O Matuto e a Ingrid, o Joseph, a Kristin, o Leonardo e a Marta

Um cavalheiro não se perde em minudências, nem dá confiança a tempestades com nome próprio. Era só o que faltava!

O Matuto e a Melga/Pernilongo

Este bicharoco é maldoso. Cruel. Fica a rodopiar na cabeça da gente até provocar automutilação involuntária. O ser humano passa a vida a dar bofetadas nas próprias orelhas como se estivesse em guerra consigo mesmo. Não há estatística fiável que prove a morte de um único pernilongo à estalada. Mas a humanidade insiste. E as orelhas sofrem. Uma maçada!

O Matuto e os Carecas

Nalguns casos é notório o tratamento das zonas periféricas. É vê-los a pentearem-se de modo a aproveitar ao máximo os tufos de cabelo, esticando-os até ao limite. Nunca desprezam o valor dum rebento peludo! Compram tónicos capilares, submetem-se a massagens do couro descabeludo, e sonham com implantes de jubas leoninas, melenas femininas e crinas cavalares.

O Matuto e o Chorinho (2)

Foi memorável. Várias bandas desfilaram pela noite dentro tocando chorinhos em que brilhavam a flauta, violão, pandeiro, piano, clarinete, cavaquinho, bandolim, trombone, acordeão e saxofone. Os chorões – os instrumentistas – de forma versátil revezavam-se nos solos tipo uma jam session de Jazz.

O Matuto, o Vasco Santana e a Água Castello

O Matuto gosta de um repouso etílico. Aquele momento nocturno de reabilitar um whiskey moribundo é sagrado. Na verdade, faz parte da alma Lusa, esta benevolência com os amigos dum ‘drink’.

O Matuto e as Listas de Ano Novo

O Matuto sabe de fonte segura que por esta altura do ano, muitos exemplares homo sapiens têm o hábito de fazer listas. Bem-intencionadas, é certo, mas...

O Matuto e o Réveillon

Entre um fogo de artifício e outro, suspende-se o pensamento crítico, essa inconveniência anti-festiva. E assim se entra no ano novo limpo por fora, confuso por dentro e feliz por decreto

O Matuto e o Fiel Amigo

Essencial, mesmo, é que um bom prato de bacalhau tenha esta fusão de elementos em perfeita harmonia existencial. Ou seja: nada de guarnições à parte. Um bom prato de bacalhau dispensa aconchegos laterais.

O Matuto, o Chá e os Morcegos

A contragosto o governo de Churchill reduziu para 30 gramas semanais, a ração de chá. Milhões de Ingleses passaram a secar as suas folhas de chá, depois de usadas, para poderem preparar mais uma infusão de chá preto com leite.

O Matuto e o Advento

Em Portugal, neste Advento, as salamandras tossem faíscas e uma chuva miudinha risca as janelas. Aqui, no Brasil, país que tão generosamente acolheu o Matuto no seu seio, o ar-condicionado zune segredos e a piscina sussurra convites líquidos.

O Matuto, Sartre e os Botões das Calças

Por vezes não é o grande sofrimento que esmaga uma pessoa, é a gota, o botão, a meia teimosa, o saco das compras que rasga, o fecho éclair que emperra, o despertador que insiste. Sartre compreendia isto — que o peso existencial se infiltra pelos cantos mais insignificantes da vida.

O Matuto e o Pretuguês

O Matuto considera que essas afro-variações são naturais. A mesma africanização aconteceu noutras línguas, como o Espanhol, o Inglês e o Francês. Só prova que a “língua” é um organismo vivo e isso nada tem a ver com tentativas de branqueamento.