Filipe Nunes

O Matuto e o Futebol de Rua

O Matuto é um Benfiquista desactivado. Nada anima o Matuto a ver um jogo de futebol. Nem mesmo a obsessão histérico-patriótica pelo Mundial (Copa, no Brasil, por favor).

O Matuto faz Yoga

O Matuto fechou os olhos. Tentou soltar o peso do corpo. O corpo não colaborou, por estar perfeitamente consciente de que estava deitado no chão duma sala que cheirava a baunilha.

O Matuto e os Sinos

Os sinos deveriam ser como o ruído gratinado dos antigos moinhos que embalavam o sono do moleiro. Ou como o chiar dum comboio (trem, no Brasil, por favor) atravessando a noite. Ou como o coaxar das rãs nos rios. Ou como o cantar dos grilos nas noites de Agosto. Sons de paz. De serenidade. Tranquilos. Toques deslumbrados da aceitação das coisas.

O Matuto e a Vida de Cão

Sempre acreditara que um cão feliz precisava apenas dum quintal, dum osso e da ocasional boa vontade dum carteiro. Pelos vistos, estava enganado. A felicidade canina exigia agora programação cultural.

O Matuto e a Sopa do Dia

Dizem que a tecnologia veio simplificar a vida. O Matuto entrou apenas para beber um café e já se sentia a meio dum curso de informática.

O Matuto e as 1001 Formas da Bica

A distinção entre ‘chávena escaldada’ e ‘chávena quente’ sugere ao Matuto que os Portugueses atingiram uma certa sofisticação civilizacional. Que gente brunida!

O Matuto e o Café com Cheirinho

Aquela chávena fumegante sempre serviu de desculpa para coisas maiores: conversas perigosas, paixões adiadas, revoluções literárias e melancolias sem nome. O café é, talvez, o mais respeitável dos vícios porque permite ao homem perder tempo com dignidade.

O Matuto e as Tribos Urbanas

O Matuto é do tempo em que havia uns cartazes patuscos com um menino e uma menina a espreitarem espantados o seu “pipi”. A frase escarrapachada no cartaz era: “Vive la Différence”. Antes da diversidade ser uma moda ideológica era uma práctica do quotidiano.

O Matuto e o Alegado uso de “alegado”

O que não entende é por que razão um suspeito, entretanto condenado por tentativa de homicídio, continua a ser tratado por “alegado”, visto haver vídeos do ataque e provas abundantes do ocorrido.

O Matuto e o Bolo de Bolacha

O Matuto nunca confiou plenamente em sobremesas que exigem reverência.

O Matuto e os Piratas

Mas o pirata favorito do Matuto é Klaus Störtebecker — o Pirata do Elba. É Luís Sepúlveda quem conta a história no livro Rosas de Atacama.

O Matuto e os Provérbios Populares

O Matuto gosta de provérbios populares. Influência do Sr. João, ilustre pai do Matuto, que chegou a coleccionar provérbios para futura publicação. Um adágio que lhe caiu no goto foi: um homem é um homem, e um rato é um rato. Aqui fica patente a diferença entre cobardia e galhardia.