terça-feira, 18 ago. 2026

Fernando Matos Rodrigues

A perturbadora normalidade política

O cidadão normal faz isto de forma cuidada, invisível, com alguma discrição e ingenuidade para evitar o confronto directo com a lei e a norma. Os nossos governantes fazem-no de forma aberta, visível e descarada. Não têm pudor nem temor. Eles são o Estado dentro do Estado, o poder que controla e condiciona os poderes.

As Políticas Públicas do Fogo (1938 – 2013)

A transição da floresta portuguesa para a situação atual de dominância das monoculturas do pinheiro-bravo e eucalipto não foram obra do acaso e da providência divina, mas uma opção política deliberada do Estado

Sete propostas para um território sustentável

Os mercados não se regulam a si próprios. A lei de ferro do liberalismo reconheceu que afinal o mercado não tem capacidades de regulação. É preciso um Estado burocrático forte para regular e servir o mercado. Um mercado que tem criado sofrimentos injustos, que tem deslocado comunidades inteiras, destruiu cidades, campos e vilas, que nega acesso a trabalho justo e a habitação digna.

Cheias inundam Políticas de Ordenamento do Território!

O nosso planeamento serviu única e exclusivamente para alimentar gabinetes e especialistas que de cima da sua sapiência serviram o mercado imobiliário, garantiram interesses, possibilitaram carreiras políticas a homens e mulheres de partido, alimentaram os sectores da construção e das infraestruturas, onde reina a engenharia e o direito.

A escória branca e a retórica política

A dualidade entre as classes cultas e economicamente elevadas e a escória branca, precária e excluída, nunca foi uma evidência que fosse capaz de polarizar classes com e sem estatuto, nem teve nas últimas décadas representação radical nos partidos de referência governativa ou parlamentar.

Arouca em papel de parede…

Fizeram-nos acreditar que o mundo seria uma disneylandia ao serviço dos prazeres do consumo e dos voyeurismos hedonistas. Já não somos filhos dos trinta anos gloriosos, nem os bastardos desta conspiração neocapitalista/globalista que nos querem impor como único modo de vida: o empobrecimento como condição natural.

Baião: do empobrecimento local à exaltação turística

São as mesmas iniciativas, as mesmas ideias, os mesmos actores e a mesma retórica do verde sustentável, da arte na eira, do assombramento nos antigos mosteiros, das mil e uma noites no rio, da celebração histórica, da noite mágica nos dolmens.

Viver aqui…

O mundo social parece mais estreito e mais nosso, mas objectivamente ele continua distante, cinzento, silencioso e indiferente ao nosso viver. Os media, as plataformas digitais com as suas redes patrocinam essa ilusão e essa ficção de vida globalizada e comum.

O prometido é devido…

O resultado está aí. As esquerdas foram severamente derrotadas. E agora, Mariana?  E agora, Raimundo?

Aqui há pouco Porto!

Que relação existe entre produção e valorização da imagem e o respectivo nome do candidato?

Era a casa mais bonita da aldeia…

A destruição do lugar, dos campos, dos bosques (carvalhos, castanheiros, sobreiros, vidoeiros), dos quintais, dos animais, das hortas, das vinhas, casas e alpendres é sem dúvida um acontecimento de grande violência psíquica porque coloca-nos perante a perda irreparável do tempo vivido.

O Barraco é a Arquitetura dos Pobres

A destruição das casas-barraco, num amontoado de memórias, de objectos das famílias, de bens privados coloca esta comunidade num lugar de “nada”, de não pertencer a nada, remete para um sentimento de perda de habitar.