Diogo Vaz Pinto

Diogo Ramada Curto. Português nada suave 

1959-2026. Presença galvanizadora, a sua perda afunda-nos no castigo de um país sem história.

Álvaro Cassuto. A batuta entre Portugal e o mundo

1938-2026. O maestro que expandiu a vida musical portuguesa, na sua prática orquestral.

Alexander Kluge (1932-2026). Aprender lições de história com as moscas

Cineasta, escritor e ensaísta maior da cultura alemã do pós-guerra, Kluge fez da fragmentação uma ética e da montagem um método para pensar a história contra a sua própria amnésia. Sobrevivente dos escombros de Halberstadt, recusou a narrativa contínua em favor de constelações de episódios, restos e vozes, onde o passado se recompõe sem síntese nem redenção. Entre a Escola de Frankfurt e o Novo Cinema Alemão, a sua obra — vasta, híbrida, indisciplinada — investiga as ruínas do século XX e a erosão contemporânea da realidade, propondo uma «educação dos sentimentos» como resistência às novas formas de dominação.

Do neolítico ao futuro, entre camponeses e poetas

Ao arrepio das versões mais idílicas ou açucaradas, o poeta e ensaísta Rui Lage traça na antologia Adeus, Campos Felizes um retrato impiedoso do mundo rural, marcado por carências, doenças e desumanidades várias. ‘Sob o reboco do pitoresco e do folclorismo, jazia um campo atrasado, ensimesmado, analfabeto e pauperizado’.

Jürgen Habermas. A ingenuidade como utopia

Que legado nos deixa o 'último grande intelectual público?'

António Lobo Antunes: A catedral de ninharias

Entre os tantos enredos daninhos que subscrevemos, ele respondia por aquela sede de linhas imortais, transmitindo-nos aquela desesperada obstinação do seu ofício, como  se não restasse outro sinal de valentia senão escrever diante  do vazio, acatar a pobreza essencial dos elementos mais comuns, banais, esses gestos e ações dos quais tem de se  fazer uma vida atrás de outra, sem a menor ilusão de se ser resgatado; escrever sobre tudo isso tendo a coragem  de estender a mão para a realidade e pedir-lhe outra esmola.

Mário Zambujal. Um adeus às lendas da madrugada

1936-2026. Entre a fauna do Bairro Alto e dos jornais, foi um dos capitães das noites.

José António Saraiva. O arquiteto que teve um funeral de jornalista

Seco e direto, mas também dotado de um apurado sentido da provocação, foi com os leitores que manteve um pacto inquebrável. Nas suas leituras pessoais, guiava-se pela ideia de que é possível comprometer-se com a verdade. Recordamos o arquiteto que se tornou diretor de jornais no primeiro aniversário da sua morte.

António Lobo Antunes. Ter estômago para digerir o fim do mundo

O nosso último gigante nas letras mundiais morreu aos 83 anos deixando uma obra irascível, desequilibrada, torrencial, e que representou um dos mais decisivos confrontos com a memória e a nossa história recente, a guerra colonial e o desfecho do império, a desagregação e a senilidade da condição de vida burguesa.

Eric Dane. Anatomia de uma perda

1972-2026 Despediu-se um ano após ser diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica

Alberto Pimenta. Tantos heróis, tão poucos monstros

Com 88 anos completados um dia depois do Natal, Alberto Pimenta persiste como um dos raros monstros da nossa poesia. Em finais do ano passado, a 7Nós reeditou os seus quatro primeiros livros, escritos ainda na Alemanha, para onde se mudou quando o mandaram apresentar-se para cumprir o serviço militar.

Robert Duvall: Coronel, Consigliere e Cowboy

1931-2025. Alguma crítica viu nele a persuasão não só de um grande ator mas de um cronista.