quinta-feira, 10 set. 2026

Carlos Tavares

Políticas, Medidas e Reformas

A necessidade de verdadeiras reformas estruturais é indiscutível. No índice de competitividade do IMD, Portugal melhorou entre 2022 e 2024, passando do 42.º lugar para o 36.º, mas voltou a recuar para o 40.º lugar em 2026, entre 70 países. Na UE está em 16.º lugar.

Temos um problema! Chama-se produtividade

O rendimento per capita está hoje sete a oito pontos percentuais mais distante da média da UE do que no início do milénio. Para alcançar a média europeia em dez anos, o PIB nacional teria de crescer, em média, 2,5 pontos percentuais por ano acima do europeu.

A independência e a competência dos Reguladores: passos em volta

A reforma do modelo de supervisão financeira é necessária, mas envolve múltiplas vertentes, para além da já assinalada, como as relações entre supervisão microprudencial, macroprudencial e estabilidade financeira.

Economia: a micro e a má!

A fragilidade do investimento produtivo está patente na queda da importância dos investimentos não financeiros (por exemplo, máquinas e equipamentos) no ativo das empresas (3 a 4 pontos percentuais entre 2015 e 2023).

Adivinhar o futuro é muito duro...

Perdeu-se também a noção de que os ciclos económicos continuam a existir e que as variáveis macroeconómicas não sobem sempre, como parece ser normal em tantos exercícios de previsão publicados.

O que é, afinal, a ‘Reforma do Estado’?

Reformar o Estado implica também definir qual a organização administrativa e política, designadamente, se o modelo de governação do Estado é centralizado ou descentralizado, e como são preenchidos os cargos políticos.

Por que é que tão poucos pagam tanto?

Cerca de 40% dos agregados familiares e das empresas não pagam qualquer imposto, ao passo que 23% dos contribuintes pagam 82% da receita do IRS e 3% das empresas garantem 70% da receita de IRC (valores para 2023, último ano para o qual existem dados da AT).

Não há bons modelos que resistam a más pessoas

É mais provável que um modelo menos bom funcione bem, se servido por pessoas competentes e eticamente impecáveis, do que o contrário. Esta conclusão estende-se a muitas outras áreas, como as da Administração e das Empresas Públicas.

Os custos do contexto e da inércia

O inquérito de 2025 do INE permite identificar três áreas críticas: licenciamentos; sistema fiscal; e, acima de todos, o sistema judicial. Cerca de 60% das empresas que responderam consideram que os processos de licenciamento são um obstáculo elevado ou muito elevado à sua actividade…

Dois Países num País

O sucesso das políticas depende criticamente de uma administração pública eficiente e inteligentemente descentralizada que as aplique.

No país das décimas

Já tivemos a prova de que as políticas reformistas persistentes dão os seus frutos. Foi o caso dos dez anos iniciados em 1985, em que as reformas levadas a cabo pelos governos de Cavaco Silva elevaram o crescimento do produto potencial para níveis da ordem dos 4% ao ano

O elo mais fraco

Mais relevante do que o peso das exportações no PIB será a importância do valor acrescentado dos bens e serviços que podem ser transacionados internacionalmente, sejam exportados ou consumidos internamente.