Bernardo Theotónio-Pereira

Seguramente Ventura

No próximo dia 8 Fevereiro teremos uma das eleições mais importantes de sempre, talvez a mais importante. Podemos compará-la a 1986 e à enorme desilusão da não vitória do Professor Freitas do Amaral. Mas, nesse tempo, Portugal ainda tinha margem para errar, para adiar decisões e para resistir à mudança. Hoje, infelizmente, já não temos esse luxo. Hoje, precisamos mesmo de ousar mudar.

A Direita desunida será sempre vencida

No próximo domingo conheceremos os resultados de uma eleição importante para Portugal. Mas será apenas mais uma eleição ou um momento de clarificação política que o País tem vindo a adiar?

Portugal no Mundo de Hoje

Estamos à beira de novas eleições presidenciais num contexto internacional profundamente alterado. As escolhas que fizermos não podem limitar-se à gestão de memórias ou à nostalgia do presente, mas à capacidade de preparar o País para um mundo que mudou e que continuará a mudar.

(A) Ventura em Belém

Os portugueses precisam de espaço para pensar, de coragem para questionar bloqueios antigos e de vontade para considerar caminhos menos óbvios. Não certezas fáceis, mas perguntas certas.

A Arte de Ser Português

Não reduzamos tudo a minudências ou a intrigas corriqueiras, sempre presentes nas sociedades modernas e vibrantes da informação. Nem limitemos a vida e a acção a fait-divers ou a disputas políticas e pessoais

“Falam, falam, mas não os vejo a fazer nada”

É precisamente esta ausência de acção que tem empurrado Portugal para uma posição cada vez mais periférica, dependente, endividada, vulnerável e incapaz (um cenário que recorda a “exiguidade”, a “exogeneidade” e o “protectorado” tantas vezes descritos pelo Prof. Adriano Moreira).

Todos os caminhos vão dar a Ventura 

Afinal, ao contrário do Estado Novo, hoje é possível governar São Bento a partir de Belém. Já de São Bento dificilmente se consegue condicionar Belém.

Estratégia e Visão

A Europa, pelas suas decisões passadas e pelo foco em dependências indevidas e desproporcionais a todos os níveis, tornou-se um bloco cada vez mais irrelevante. Pior: sem rumo, com lideranças fracas e em crescente desunião.

Que miséria!

isto irrita-me, incomoda-me e envergonha-me. Quer pela mediocridade instalada e constatada, quer pela aparência da certeza de que muitos destes se julgam a “luz guia da inteligência” nacional.

A III República findou?

Ao contrário do que políticos, jornalistas e comentadores nos têm dito (a meu ver errado), o líder do partido mais votado numas eleições legislativas não “tem o direito” de ser o Primeiro-Ministro indigitado e, muito menos, o Presidente da República “tem o dever de o indigitar”.

Em Banho Maria

A única forma de alertar e mudar esta actual ditadura partidária (muito longe de ser a democracia apregoada) seria, por exemplo, o boletim de voto incluir um quadrado com a opção “voto em branco” que, caso tivesse mais de 50% dos votos efectivos, obrigaria a uma renovação das opções apresentadas.

O fim e o futuro

Portugal descaracterizou-se. Perdeu a estratégia necessária e perdeu a identidade única. Precisamos mesmo de voltar a ser Portugal, com uma estratégia clara e una, com identidade, com valores e, por isso, com dignidade e futuro.