Benjamin Clementine é o vencedor deste ano do Mercury Prize, um dos mais importantes prémios de música do Reino Unido. O músico - que lançou antes do verão o seu disco de estreia, "At Least For Now" - tem agendada para Portugal uma pequena digressão na próxima semana, que começa já no domingo, no Theatro Circo de Braga, e passará por Aveiro (terça, Teatro Aveirense), Porto (quarta, Casa da Música), Lisboa (sexta, MexeFest) e Faro (sábado, Teatro das Figuras).
Assim que entramos no Salão Ideal, no Chiado, ponto de encontro para a entrevista, João Salaviza diz-nos que prefere sentar-se num dos cantos. Escolhemos o ângulo mais discreto e, minutos depois, a opção já estaria esquecida se o realizador não nos desse uma desculpa - enquanto falava de David Mourato, protagonista de 'Montanha' - para recuperar a preferência. Na procura de um adolescente para a sua primeira longa-metragem, Salaviza viu centenas de miúdos e David, ao contrário da maioria, nunca mostrou o "desejo de fazer um filme". A tendência natural do jovem em se esconder, "encostar-se nos cantos mais protegidos", impressionou o realizador. Comentamos o comportamento semelhante e Salaviza apercebe-se da sintonia que antes "nem tinha reparado". "Até parece que estou no psiquiatra", brinca, entre risos. E não pode, afinal, o cinema ser uma espécie de divã terapêutico?
Trabalhar a memória. Tal como Tiago Rodrigues em 2010, Clara Andermatt em 2011, Mónica Calle em 2013, João Galante e Ana Borralho em 2013 e Jorge Andrade (Mala Voadora) e Tim Etchells no ano passado, quando recebeu o convite para coreografar a Companhia Maior, Filipa Francisco decidiu criar um espetáculo sobre a memória. A idade avançada dos intérpretes (têm todos mais de 60 anos) assim o ditava, pensou antes de os conhecer. Com o que a coreógrafa não contava era com uma autêntica «rebelião» quando lhes propôs o tema. Em vez de olhar para o passado, explicaram-lhe, queriam vincar o presente. Trazer para palco a vida ativa que levam, numa sociedade que os chama a participar sempre que lhe convém (para cuidar dos netos, por exemplo), mas depois considera-os ‘peças de museu’ quando olha para a (suposta) fragilidade dos seus corpos.
Uma hora depois de o concerto de ontem, em Lisboa, ter começado, Cat Power tropeçou no que já lhe era esperado desde que pisou o palco do Centro Cultural de Belém: o mais perturbador ataque de insegurança da noite. Levando as mãos à cabeça, deitou-a depois no piano e, algo angustiada, lamentou não estar a cantar como desejava. “Quando não consigo projetar a voz como quero, sinto que não estou a fazer o meu trabalho”, desabafou com o público que esgotou a sala lisboeta. A resposta dos fãs foi esclarecedora - “está óptimo (‘it’s fine’)”, “nós adoramos-te (‘we love you’) -, mas nem assim Chan Marshall se convenceu. Explicou que, embora se sentisse abençoada por tocar numa sala “tão bonita” como a do CCB, odeia “sistemas digitais”.