Alexandra Ho

Sabe quais são os filmes nacionais mais vistos de sempre?

Durante dez anos, o pódio no ranking de filmes portugueses mais vistos de sempre pertenceu a “O Crime do Padre Amaro”, a longa-metragem de 2005 de Carlos Coelho da Silva, protagonizado por Soraia Chaves e Jorge Corrula. O filme baseado na obra de Eça de Queirós foi visto por 380 671 espectadores, mas segundo dado da distribuidora NOS, esta contabilidade foi agora ultrapassada pela versão assinada por Leonel Vieira de “O Pátio das Cantigas”.

Rufus Wainwright: ‘A ópera é a minha religião’

  

Dez concertos a não perder no MexeFest

A rotina já se instalou. Último fim de semana de novembro significa viver intensamente a música na zona da Avenida da Liberdade, em Lisboa, com o Vodafone MexeFest. Entre hoje e amanhã são apresentados mais de 50 concertos, o que dificulta sempre a escolha sobre que concertos não se podem perder. Deixamos aqui dez sugestões, num roteiro feito de vários ambientes sonoros.

Benjamin Clementine: 'Estava tão perdido que ou escrevia canções ou suicidava-me'

O telefonema já tinha ultrapassado há alguns minutos o tempo combinado quando Benjamin Clementine nos brinda com esta pérola: “Ainda sou um vagabundo. Agora só um pouco mais rico - e não falo só de dinheiro, mas de vivências também -, e já consigo tomar banho e lavar os dentes todos os dias”. Pérola porquê? Porque aquele ‘vagabundo’ não surge aqui só em referência à sua anterior vida como indigente em Paris. Há um sentido muito mais poético na auto caracterização. Como se a sua existência dependesse visceralmente dessa condição nómada e, em certa medida, solitária.

Benjamin Clementine vence Mercury Prize

Benjamin Clementine é o vencedor deste ano do Mercury Prize, um dos mais importantes prémios de música do Reino Unido. O músico - que lançou antes do verão o seu disco de estreia, "At Least For Now" - tem agendada para Portugal uma pequena digressão na próxima semana, que começa já no domingo, no Theatro Circo de Braga, e passará por Aveiro (terça, Teatro Aveirense), Porto (quarta, Casa da Música), Lisboa (sexta, MexeFest) e Faro (sábado, Teatro das Figuras).

João Salaviza: 'Acabo sempre por filmar manifestações de solidão'

​Assim que entramos no Salão Ideal, no Chiado, ponto de encontro para a entrevista, João Salaviza diz-nos que prefere sentar-se num dos cantos. Escolhemos o ângulo mais discreto e, minutos depois, a opção já estaria esquecida se o realizador não nos desse uma desculpa - enquanto falava de David Mourato, protagonista de 'Montanha' - para recuperar a preferência. Na procura de um adolescente para a sua primeira longa-metragem, Salaviza viu centenas de miúdos e David, ao contrário da maioria, nunca mostrou o "desejo de fazer um filme". A tendência natural do jovem em se esconder, "encostar-se nos cantos mais protegidos", impressionou o realizador. Comentamos o comportamento semelhante e Salaviza apercebe-se da sintonia que antes "nem tinha reparado". "Até parece que estou no psiquiatra", brinca, entre risos. E não pode, afinal, o cinema ser uma espécie de divã terapêutico?

Barroco triunfo

   

A euforia dos 20

Durante dois anos Paulo Ribeiro subiu várias vezes ao palco com um solo. Um solo "denso, solitário, muito agarrado às tripas". Não se apresentava assim desde o longínquo 1991 (quando estreou Modo de Utilização), mas o regresso à cena ‘tão despido’, mais de 20 anos depois, com Sem um Tu não pode haver um Eu acabou por determinar o espetáculo que agora estreia, A Festa (da Insignificância).

Força presente

Trabalhar a memória. Tal como Tiago Rodrigues em 2010, Clara Andermatt em 2011, Mónica Calle em 2013, João Galante e Ana Borralho em 2013 e Jorge Andrade (Mala Voadora) e Tim Etchells no ano passado, quando recebeu o convite para coreografar a Companhia Maior, Filipa Francisco decidiu criar um espetáculo sobre a memória. A idade avançada dos intérpretes (têm todos mais de 60 anos) assim o ditava, pensou antes de os conhecer. Com o que a coreógrafa não contava era com uma autêntica «rebelião» quando lhes propôs o tema. Em vez de olhar para o passado, explicaram-lhe, queriam vincar o presente. Trazer para palco a vida ativa que levam, numa sociedade que os chama a participar sempre que lhe convém (para cuidar dos netos, por exemplo), mas depois considera-os ‘peças de museu’ quando olha para a (suposta) fragilidade dos seus corpos.

Lenine agasalhado de palavras

Há pessoas que cativam logo pelo seu talento imensurável. Há outras que, mesmo não sendo demasiado afortunadas na aptidão artística, emanam um charme qualquer que nos leva até elas. O músico brasileiro Lenine tem isso tudo e muito mais. E até numa chamada transatlântica, com alguns problemas técnicos a prejudicarem a comunicação, é impossível ficar-se indiferente.

Cat Power: Quando a vulnerabilidade é uma arma de sedução

Uma hora depois de o concerto de ontem, em Lisboa, ter começado, Cat Power tropeçou no que já lhe era esperado desde que pisou o palco do Centro Cultural de Belém: o mais perturbador ataque de insegurança da noite. Levando as mãos à cabeça, deitou-a depois no piano e, algo angustiada, lamentou não estar a cantar como desejava. “Quando não consigo projetar a voz como quero, sinto que não estou a fazer o meu trabalho”, desabafou com o público que esgotou a sala lisboeta. A resposta dos fãs foi esclarecedora - “está óptimo (‘it’s fine’)”, “nós adoramos-te (‘we love you’) -, mas nem assim Chan Marshall se convenceu. Explicou que, embora se sentisse abençoada por tocar numa sala “tão bonita” como a do CCB, odeia “sistemas digitais”. 

Portugueses já compraram 12% do quadro 'Adoração dos Magos'

Vinte e quatro horas depois do arranque da campanha de angariação de fundos para comprar “Adoração dos Magos”, de Domingos Sequeira, 12% do quadro já foi financiado pelos portugueses. A iniciativa, inédita em Portugal, tem como objetivo final obter 600 mil euros, de modo a que o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) consiga adquirir a obra.