quarta-feira, 13 mai. 2026

Aisha Rahim

LEFFEST maior que o cinema

Um mês depois de tornar pública a despedida dos palcos, Luis Miguel Cintra é um dos homenageados no Lisbon & Estoril Film Festival (LEFFEST), a decorrer até 15 de Novembro em nove espaços entre Cascais e o centro de Lisboa (consultar www.leffest.com). Homem do teatro mas também da sétima arte, é-lhe dedicado um ciclo de 17 filmes, indo da curta-metragem de César Monteiro que o levou pela primeira vez à tela grande, Quem Espera Por Sapatos de Defunto Morre Descalço (1970), ao documentário Ilusão (2014) de Sofia Marques, sobre a peça homónima que encenou para o Teatro da Cornucópia, passando por filmes como A Ilha dos Amores, de Paulo Rocha, Vertiges, de Christine Laurent, Aqui na Terra, de João Botelho, Uma Pedra no Bolso, de Joaquim Pinto, e O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira, de quem foi aliás um dos mais antigos e fiéis colaboradores. As projeções contarão com a presença do ator de 66 anos, que fará uma leitura de poemas e outros textos.

Um mapa-múndi provocador

Mais de 200 filmes para descobrir na 13.ª edição do festival de documentário DocLisboa.

‘Não fazemos piadas para crianças’

Adeus à silly season com A Ovelha Choné - O Filme: uma animação artesanal e sem diálogos dos estúdios Aardman, pelos britânicos Richard Starzak e Mark Burton.

Miguel Gomes. ‘Alguém roubar 40 vacas diz algo sobre o estado a que chegámos’

As Mil e Uma Noites, trilogia aplaudida de pé em Cannes, vê o seu primeiro volume estrear-se hoje. Confusão de tempos: o Portugal dos desempregados contado pela princesa Xerazade ao pai Shariar, e contado pelo realizador Miguel Gomes à filha Carolina. À conversa com o cinéfilo que detestava matemática, que andou à tareia por causa do Dumbo e que se deixou enfeitiçar pelo canto dos tentilhões

Há festa na cidade

Não será mentira dizer que todo o humor deve algo, aberta ou inconscientemente, a nomes como Chaplin, Keaton e Lloyd. Figuras arquetípicas das primeiras duas décadas do cinema de comédia, deles certamente constam impressões digitais no universo de Jacques Tati. E no entanto, o génio de apelido original Tatischeff, nascido na comuna francesa de Le Pecq em 1907, filho de um emoldurador de quadros (como já o era o avô materno) - o paralelismo com a tela de cinema não é insignificante - continua a ser um caso singular na História do cinema. Antes de mais por recuperar o burlesco do período mudo (de que o conterrâneo Max Linder, pode dizer-se, fora um pai para os norte-americanos) quando as gentes se quedavam pelo movimento da Nova Vaga.

'Tati foi uma criança a vida toda'

Jérôme Deschamps, actor, realizador, sobrinho de Jacques Tati e detentor dos direitos dos seus filmes, recorda o francês que observou, escutou e riu para lá do seu tempo.

João Pedro Plácido: 'Empurrei a realidade para a frente da câmara'

Prémio para melhor longa-metragem portuguesa no DocLisboa, Volta à Terra é a homenagem do realizador de 36 anos à aldeia minhota Uz - onde os telhados são de colmo e o consumismo não bateu à porta.

‘Hoje não sairia vivo da Indonésia’

O Olhar do Silêncio é a segunda missão impossível do realizador norte-americano Joshua Oppenheimer na Indonésia: filmar um sobrevivente do massacre de 1965 em diálogo com perpetradores, ainda hoje no poder.

Alice Rohrwacher: 'Descobri a luz em Lisboa'

A realizadora e argumentista italiana fez escola de cinema em Portugal. Aos 33 anos foi premiada pelo júri em Cannes com a segunda longa-metragem, O País das Maravilhas, no qual uma família de apicultores vive à margem do presente como da lei.

Margarida Cardoso: 'A história apaga primeiro as mulheres'

     

Óscares 2015. Boyhood

Recordar a filmografia, algo irregular, de Richard Linklater antes de Boyhood é evocar sobretudo a trilogia de culto Antes do Amanhecer (1995), Antes do Anoitecer (2004) e Antes da Meia-Noite (2003). Cada um dos volumes é marcado pela ideia de tempo real – no primeiro, por exemplo, passamos (ficcionalmente) um e um só dia na companhia de dois jovens que se conhecem num comboio entre Budapeste e Viena e partem em caminhos diferentes na madrugada seguinte – mas no seu conjunto há uma continuidade cronológica que os atravessa – em Antes do Anoitecer passaram-se alguns anos e o casal reencontra-se em Paris, e na terceira fita, quem diria, estão casados, têm filhos e passam férias na Grécia. Não foram só as personagens a envelhecer, também os actores protagonistas (Ethan Hawke e Julie Delpy) ganharam rugas. “O tempo passa”, diz alguém em Boyhood.

Cinema: A pequena França

Tem nome de banda desenhada franco-belga, vacas 'loucas' que voam de helicóptero e um comandante da polícia com excrementos na sola do sapato. Assim visto, ninguém diria que O Pequeno Quinquin é assinado por Bruno Dumont, realizador francês frequentemente adjectivado de bressoniano, autor de uma divisiva colecção de filmes, como La Vie de Jésus (1997) e Flandres (2006), premiada no Festival de Cannes. Em exibição no Espaço Nimas, em Lisboa, e no Teatro Municipal Campo Alegre, no Porto, no formato cinemascope como idealizado pelo realizador, a estreia do cineasta no campo da comédia e das séries de TV toma como cenário uma comunidade rural de Boulonnais onde dois detectives procuram um assassino em série.