Começo por citar uma notícia da CNN Portugal: «Fortes nevões mataram 35 pessoas no Japão nas últimas duas semanas, sobretudo na região de Niigata, centro do arquipélago, anunciaram as autoridades japonesas. Um total de 15 municípios foram afetados, tendo a quantidade de neve acumulada nas áreas mais atingidas sido estimada em dois metros de altura. Em Niigata, uma região produtora de arroz no norte do Japão, foram registadas mortes, incluindo um homem de 50 anos que foi encontrado caído no telhado da sua casa na cidade de Uonuma a 21 de janeiro.
Na cidade de Nagaoka, um homem de 70 anos foi encontrado caído em frente à sua casa e levado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto. As autoridades de Niigata acreditam que o idoso caiu do telhado enquanto limpava a neve». A notícia fala de um dos países mais desenvolvidos do mundo e que está mais do que habituado a lidar com intempéries. Lá, como cá, morreram pessoas no telhado das casas. Mas vem esta conversa a propósito do mau tempo que assolou Portugal nos últimos dias, que fez mais de uma dezena de vítimas mortais, além de estragos impressionantes, principalmente na zona centro. O que se podia ter feito para evitar tanta devastação, não sei, mas os especialistas dirão de sua justiça. Que se podia ter feito mais para acudir imediatamente a milhares de pessoas que ficaram numa situação vulnerável, parece-me evidente. A falta de lonas, telhas e afins – pessoas dormirem sem teto porque o auxílio demorou – parece-me incompreensível.
O que também me tem intrigado é não ouvir, talvez o defeito seja meu, falar do futuro. Isto é, fala-se em reconstruir, e bem, rapidamente as casas, fábricas e demais estruturas que quase desapareceram com as rajadas de vento a mais de 150 quilómetros por hora. Segundo os especialistas, o cenário deverá repetir-se com mais frequência. Sendo assim, o que está a ser pensado para mudar as construções que não resistiram desta vez? Colocar telhas no lugar das que voaram é garantir que irão voar de novo. Por outro lado, estas tempestades vieram por a nu os verdadeiros crimes que foram cometidos nas últimas décadas emPortugal, nomeadamente a construção em leitos de rios, ou em arribas frágeis – veja-se o caso dos edifícios em Sesimbra... Da mesma forma que sempre me intrigou a localização de muitas casas no Funchal, algumas das quais quase desapareceram com as enxurradas provocadas pela chuva.
Será que vai haver coragem dos autarcas, e do Governo, para prevenir, mandando destruir algumas das habitações que estão em sítios de risco? Tenho sérias dúvidas que alguém o faça.
É um dado adquirido que muitas populações ficaram entregues a si próprias e que a ajuda demorou mais do que o aceitável. Mas há uma pergunta que Pedro Santana Lopes fez e ainda não vi ninguém responder, e talvez o problema seja meu. Houve ou não atrasos na ajuda da E-redes por causa dos seus carros serem elétricos e não haver postos para reabastecerem – se não havia energia? Penso que esta desgraça que se abateu sobre Portugal também pode servir para os fanáticos do ambiente perceberem que uma sociedade não pode estar 100% dependente da energia elétrica. Ah! E o dinheiro vivo ganha sempre outra importância quando só se consegue fazer compras com as notas ou moedas de euros. Os fanáticos da modernice e que adoram encher os bancos de comissões com os cartões de crédito e de débito deviam pensar nisso. Cada vez mais as pessoas sabem que têm de ter dinheiro vivo em casa...
Uma nota final para a solidariedade demonstrada por tantos e tantos. É bom saber que ainda há quem pense nos outros.
Telegramas
O suicídio do Polana
A morte de Pedro Ferraz do Reis, funcionário do BCI, no magnífico hotel Polana, emMaputo, levou logo alguns a declarar que tinha sido assassinado. Uma das avantesmas de serviço da esquerda caviar, logo se insurgiu contra o Governo português, a Polícia, tendo-se esquecido de falar em André Ventura, por não terem marchado até Moçambique para prenderem os autores do crime. Afinal, a Polícia Judiciária e o Instituto de Medicina Legal mandaram equipas a Maputo e constataram que o bancário se tinha suicidado. Será que a avantesma já se retratou? Duvido.
O mundo está louco
Leio e fico perplexo. O Ministério Público e uma equipa de psiquiatras pedem a libertação de Abdul Bashir, que matou duas mulheres noCentro Ismaili, em Lisboa, alegando que sofre de graves perturbações mentais. Abdul é acusado pelos gregos de ter matado a mulher num centro de refugiados antes de vir para Lisboa. Não sei se por osmose ou por outra razão qualquer, o advogado do triplo homicida da barbearia da Penha de França também pede a absolvição do seu cliente alegando que este este é inimputável, por ter graves problemas mentais. Assim vai o nosso país.