Pessoas que se julgam cães

A doideira tomou conta do Ocidente rico e a extrema-esquerda aplaude o passo em frente rumo ao abismo

Os desafios que a Igreja Católica enfrenta talvez sejam um belo espelho da realidade das ditas sociedades ocidentais. Se para boa parte dos católicos alemães só faz sentido a Igreja Católica continuar o seu caminho se a ordenação de mulheres for uma realidade; se os padres puderem casar; se os homossexuais puderem receber a bênção na igreja; e o mesmo para os recasados. Os alemães querem ainda que os ‘civis’ tenham tanto peso, ou mais, do que os sacerdotes. Mas, se formos ver o resto do mundo católico, percebemos que as preocupações dos africanos, asiáticos ou mesmo da América Latina são completamente diferentes. Que sentido faz, por exemplo, querer celebrar casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando nesses países a homossexualidade pode ser sinónimo de pena de morte?  Os exemplos não faltam entre os interesses e desejos do mundo ocidental com os outros, além de que no mundo ocidental há muito boa gente que pensa de forma diferente.

Vem esta conversa a propósito de um comunicado da Ordem dos Veterinários portugueses que, antecipando-se ao que aí vem, fez saber que os as clínicas veterinárias não estão aptas para tratar humanos.  «As pessoas que se identificam espiritual ou psicologicamente como animais são chamadas de therians (ou teriantropos). De acordo com a literatura este grupo de pessoas sente uma conexão profunda com um animal específico e pode adotar comportamentos, como andar de quatro, miar ou ladrar, muitas vezes usando máscaras e caudas», começa por dizer a Ordem aos seus associados.  

«Na sequência de irem surgindo, ainda que de forma pontual, em Portugal, pessoas que afirmam identificar-se com determinados animais – adotando linguagem, comportamentos ou ‘papéis’ associados a esses animais e que reclamem serviços médico-veterinários para si próprios, enquanto teriantropos, a Ordem dos Médicos Veterinários informa o seguinte a todos os seus membros: A lei portuguesa reconhece e tutela expressamente certas dimensões da identidade pessoal (por exemplo, o direito à autodeterminação da identidade e expressão de género – Lei n.º 38/2018), mas não prevê, nem tutela, qualquer estatuto jurídico de ‘identidade animal’ da pessoa. A pessoa que se identifica como animal continua, para o Direito, a ser uma pessoa humana».

Acredito, que se este comunicado da Ordem dos Veterinários fosse lido em alguns países africanos, eles diriam que os Deuses Devem estar Loucos. Se fosse no Irão, Coreia do Norte, Afeganistão, Síria, Arábia Saudita, Rússia ou mesmo China, por exemplo, acho que estes países não gastariam mais um cêntimo em armas ou mesmo em doutrinação para ‘conquistar’ o Ocidente, pois é evidente que esta civilização caminha no sentido da autodestruição. 

Fartos de mordomias, de luxos e afins, até fingem que são cães ou gatos. Outros casos houve em que professores foram expulsos do ensino por se recusarem a tratar os alunos por animais ou mesmo por os tratarem por ele ou por ela. A doideira tomou conta do Ocidente rico e a extrema-esquerda aplaude o passo em frente rumo ao abismo. 

Telegramas

Conta-me como foi

Esta semana fui jantar, tarde, a Alvalade e fui surpreendido com o horário de encerramento do restaurante: 23 horas. Como queríamos pôr a conversa em dia e dar força a um amigo, fomos andando até ao mítico 10A, para beber mais uma cerveja e acabar a conversa. Quando saímos, ainda se jogava e praticava desporto no estádio 1.º de Maio, antigo Inatel. Como tudo mudou! Antigamente saíamos do 1.º de Maio e íamos beber umas cervejas, agora parece que é ao contrário...

Um julgamento muito aguardado

Manuel Salgado teve durante muitos anos, na Câmara de Lisboa, a mesma alcunha do primo de Ricardo Salgado, que é como quem diz, Dono Disto Tudo. O antigo vereador do Urbanismo, entre 2007 e 2019, foi acusado publicamente por diferentes intervenientes imobiliários, e agora os seus adversários esperam ansiosamente pelo julgamento onde Salgado é acusado de prevaricação e violação de regras urbanísticas. A história tem mais de dez anos e diz respeito a obras no antigo Piazza Di Mare e na discoteca BBC, que deram lugar ao SUD. Não faltam argumentos para um belo filme.

Foi você que pediu um chef?

Já assisti a pedidos insólitos, mas esta de haver uma espécie de comoção nacional, bem sei que em certos nichos, a pedir que o Estado apoie os restaurantes ditos de autor por estarem em dificuldades é mesmo insólito. Que tal exigirmos ajuda para comprar carros de luxo? 

Palpiteiros e pregadores

Nos últimos tempos tenho recebido, no telemóvel, informações de colóquios, mesas redondas e afins que se vão realizar em espaços públicos, sendo necessário pagar bilhete para ouvir algumas criaturas bem ‘encartilhadas’ que pregam nas televisões. Antigamente pagava-se para ver as Cicciolinas desta vida, agora paga-se para ver ‘cartilheiros’. Genial, mas cada um que faça com o seu dinheiro o que bem entende – desde que não peça subsídios!

vitor.rainho@nascerdosol.pt