segunda-feira, 09 fev. 2026

O jornalismo de influencers

Os políticos, cada vez mais, preferem ser entrevistados por humoristas, influencers ou mesmo por políticos. É tudo mais fofinho.

O jornalismo já teve melhores dias e isso não é novidade para ninguém. A fronteira entre opinião e a notícia pura e dura foi-se esbatendo, permitindo a entrada em ação de outros protagonistas. Há uns anos, não muito distantes, os políticos, atores, atletas, empresários e por aí fora, faziam ‘fila’ para serem entrevistados pelos principais jornais, em papel ou formato digital, rádios ou televisões, mas agora preferem, muitas vezes, sê-lo por humoristas, influencers, comentadores ou, no caso dos políticos, por colegas de profissão. Isto é, políticos entrevistados por políticos.

Na maior parte dos casos, penso que pretendem alcançar novos públicos e nada melhor do que seguir a ‘onda’. É assim que Ricardo Araújo Pereira, um ex-comunista convicto, e líder de audiências, bem como outros humoristas fazem entrevistas políticas.

Não foi assim há tanto tempo que uma parte da classe jornalística, e não só, se revoltou contra o facto de a jornalista Maria João Avillez, então sem carteira profissional, ter entrevistado Luís Montenegro. Avillez que é uma jornalista consagrada e que nunca escondeu as suas preferências políticas, mas nem por isso os políticos duvidaram alguma vez da sua imparcialidade, tendo entrevistado figuras como Álvaro Cunhal, Mário Soares, Freitas do Amaral, entre tantos outros. Penso mesmo que o Sindicato dos Jornalistas se insurgiu contra a dita entrevista a Montenegro, mas nem os sindicalistas, nem ninguém, acha estranho políticos serem entrevistados por políticos. Tenho por Pedro Santana Lopes estima e consideração, mas não deixo de estranhar que um homem que queria ser candidato à Presidência da República, e só não avançou porque as sondagens não lhe eram favoráveis, esteja agora a entrevistar os principais candidatos a Belém. Falo de Santana Lopes porque é o caso mais evidente, os outros políticos que também fazem entrevistas noutros canais não conheço bem,

e por alguns nem tenho grande consideração.

Percebo que as audiências são muito importantes – e nada tenho contra as escolhas de cada um, e as pessoas são livres de falarem com quem muito bem entendem –, mas é um facto que o papel de jornalista é cada vez menos valorizado. Onde antes havia credibilidade, hoje há espetáculo. Não querendo parecer o Velho do Restelo, digamos que quem tem filhos deve encaminhá-los para outras profissões, desde influencer ou humorista, por exemplo. Deixando a brincadeira de lado, há uns bons anos, quando as redes sociais começaram a ter alguma força, uma amiga ligada à moda, que convidava jornalistas da sua área a irem a eventos em Portugal e no estrangeiro, explicou-me que uma crítica de uma influencer internacional como Chiara Ferragni valia mais do que um editorial da Vogue. A moda espalhou-se e hoje quem quer alcançar um público mais ‘mastigável’, digamos assim, opta por esses caminhos. É a vida moderna.

Por falar em audiências, ou melhor dizendo, em sondagens, gostava muito de ver um debate televisivo, no dia a seguir às eleições presidenciais de domingo, com os responsáveis das diferentes empresas de sondagens. E gostaria que me explicassem como é possível haver, no mesmo dia, sondagens tão díspares. Ou será quer todas têm razão no dia em que são feitas? Nestes tempos modernos, todos se agarram às sondagens que lhes são mais favoráveis, mas tenho para mim que no dia 18 haverá grandes surpresas. Se até há poucos dias havia cinco candidatos praticamente com as mesmas intenções de voto, hoje essa realidade desapareceu. Calculo que no domingo a diferença de votos entre os cinco principais candidatos será ainda bem maior. Cá estaremos para ver qual a sondagem que mais acertou...

Telegramas

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