Sou um fã de futebol, principalmente do campeonato inglês, e gosto de ver os resumos dos jogos na televisão. Sempre achei estranho que o canal que tem os direitos dos principais campeonatos - excluindo o inglês - opte por ‘esconder’ esses mesmos resumos no seu canal aberto. Chega a ser patético ver os resumos noutros canais muito mais agressivos e ‘amigos’ dos telespetadores, enquanto a Sport TV mantém horas de emissão com comentadores, que vão falando nas táticas e afins.
O ridículo foi levado ao cúmulo neste Campeonato do Mundo de futebol. Tendo os direitos de todos os jogos, o canal optou por manter uma programação de horas e horas com palpiteiros a deambularem pelas táticas e foras de jogo, penáltis e demais faltas. Chegou-se ao insólito de jogos da fase a eliminar acabarem e a Sport TV + estar a passar encontros de ténis ou os tais programas falados, esquecendo-se de dar a notícia do resultado do jogo que tinha acabado, optando por passar os resumos muito depois de alguns canais ou mesmo dos Live Mode desta vida.
Os responsáveis da Sport TV lá saberão a razão de ‘passarem’ ao lado da atualidade, transformando o canal numa espécie de Igreja do comentário. Confesso que me irrita, por exemplo, um jogo que foi decidido nos penáltis e os canais só passarem os dois últimos e que ditaram a eliminatória, para darem ‘palco’ aos tais comentadores. A televisão, nalguns casos, transformou-se na rádio, onde as imagens pouco importam e o que interessa são as palavras.
Vem esta conversa a propósito do que se passou na sexta-feira da semana passada, dia em que o SOL deu a notícia que envolve o atual ministro da Administração Interna e antigo diretor da Polícia Judiciária. Como disse João Miguel Tavares, percebe-se mal - que a história das obras nos montes alentejanos de Luís Neves, e das respetivas facturas - «a relativa indiferença com que foi recebida pela comunicação social. Bem sei que Luís Neves é um ministro popular, quer à direita quer à esquerda, mas os factos relatados pelo semanário, numa investigação conduzida por Bruno Horta e Felícia Cabrita, indiciam, no mínimo, uma enorme imprudência ética e, no máximo, um crime». Como é sabido, boa parte da comunicação social só acordou para a notícia um ou dois dias depois.
Há quem defenda que este caso tem a importância que tiveram as obras na marquise de Cavaco Silva, na Travessa do Possolo. Não é verdade e as realidades são bem diferentes. Certo é que Luís Neves sempre contou com a complacência e amizade de boa parte da comunicação social e sempre acreditou que o ‘caso’ acabaria por morrer mais cedo ou mais tarde. Mas como tal não aconteceu, viu-se obrigado a dar três entrevistas televisivas no domingo: primeiro na Now, e depois na TVI e, por fim, na CNN Portugal. Como não faço parte da Confraria dos Amigos de Luís Neves, e nem avental tenho para cozinhar, cito a crónica do jornalista Filipe Luís, da revista Visão: «Luís Neves reconheceu que, sabendo o que sabe hoje, teria agido de outra forma. O problema é que ele sabia, mas não quis saber, ‘o que sabe hoje’». Continua o jornalista que, calculo, não faz parte da Confraria nem do pequeno grupo acusado de perseguir o ministro. «Irónico mesmo é que tenha vindo para o Governo depois de ter tutelado uma investigação sobre obras na casa do primeiro-ministro - e arrisque agora ser investigado por obras na sua própria casa».
Pelo que tenho percebido na rua, são muitos os que desvalorizam o comportamento de Luís Neves, pois reveem-se na sua atitude, como se um governante fosse o mesmo que o Toni dos bifes. Espero que Filipe Luís não me leve a mal por o voltar a citar, mas o jornalista toca noutro ponto importante da questão: «Neste momento, Luís Neves sabe o que sentiram muitos dos investigados pela sua ex-polícia, em situações que sugerem ressonâncias com o caso em apreço: o seu». Se a rapaziada da Sport TV+ prefere ‘esconder’ os resumos dos jogos, talvez para os telespetadores subscreverem os canais ‘fechados’, não consigo encontrar uma razão para os jornalistas terem estado a dormir, alguns até segunda-feira. Calculo que tenham uma leitura pesada!
Telegramas
O crime das escadas rolantes
Vivemos num país de mansos e quase tudo é permitido. Se assim não fosse, os concessionários de parques de estacionamento teriam que indemnizar os utentes que são obrigados a subir, nalguns casos, quatro andares. Como é possível este desrespeito por pessoas com fraca mobilidade? No Metro, a história não é diferente.
Gangues dos telemóveis
A cegueira ideológica de alguns fá-los dizer e escrever barbaridades sobre alguns assuntos. O caso dos ladrões de telemóveis é bem ilustrativo disso mesmo. No Rock in Rio, nas praias de Portimão ou de Caxias, centenas de pessoas ficaram sem telemóvel. Porquê? Porque grupos internacionais - como se sabe, muitos dos cegos ideológicos exigem que não se diga a nacionalidade dos assaltantes -, alguns com bilhetes de avião comprado para o dia seguinte à sua atuação, decidiram ‘investir’ em Portugal para ganharem milhares de euros com os telemóveis de topo de gama. Parabéns à PSP que tem recuperado centenas de telemóveis.