Há uma frase atribuída a um árbitro ou a um dirigente de futebol – ninguém sabe ao certo se o autor foi António Fiúsa, antigo presidente do Gil Vicente, ou o árbitro Vítor Correia – que ficou no anedotário nacional e é muito útil nos dias de hoje: «Desde que vi um porco a andar de bicicleta, acredito em tudo». Vem esta conversa a propósito de uma informação que me deram na semana passada e que eu disse ser impossível – que há quatro bilhetes para a final do Campeonato do Mundo que custam oito milhões de euros, dois milhões cada um, portanto.
A conversa passou e quando cheguei ao jornal no dia seguinte, ao ler os jornais – devo ser dos poucos que lê praticamente todos, além dos digitais – parei numa notícia que confirmava a história dos oito milhões de euros por quatro bilhetes. Acresce que os ditos bilhetes dão lugar atrás de uma das balizas, denotando logo que quem os comprar não deve gostar muito de futebol, pois esse não é o melhor local para ver o jogo.
Não percebi alguns pormenores da notícia, mas deu para entender que o bilhete mais barato da final será de 8.500 euros! Fiquei também a saber que o presidente da FIFA explicou que o organismo que tutela não tem fins lucrativos e, por isso, é preciso aproveitar os dias do Campeonato do Mundo para faturar pelos quatro anos seguintes. Gianni Infantino deve pensar que somos todos atrasados mentais, mas enfim. Ah! Parece que o bilhete mais barato durante o Mundial é de 50 euros, embora os países envolvidos no campeonato só tenham direito a 2% dos ingressos.
O futebol, mesmo nos Estados Unidos e no Canadá, não devia de ser apenas e exclusivamente para ricos. Recordo-me que aquando da final do Campeonato da Europa, em 2004, na final jogada no Estádio da Luz, entre Portugal e a Grécia, maioritariamente estavam nas bancadas os convidados dos patrocinadores e uns tantos abonados que conseguiram comprar bilhete. E como assistir a um jogo de futebol não é o mesmo que presenciar uma ópera no Teatro Scala, em Milão, os ‘pobres’ são essenciais para dar colorido ao jogo, algo que faltou nessa final maldita. Bem sei que é um negócio privado e pouco haverá a fazer, mas as federações têm o estatuto de utilidade pública desportiva, logo, seja num campeonato nacional, num europeu ou num mundial, deviam reservar bilhetes, nem que fosse num peão, para os menos abonados – embora saiba que é quase impossível controlar o destino desses bilhetes.
P. S. Se há lugar no mundo onde todos são iguais, é nas bancadas dos estádios.Tenho amigos que estão bem na vida e que se recusam a comprar um camarote, pois preferem ver o jogo no meio do povo, onde podem dizer todas as asneiras possíveis e imaginárias. No Brasil, um adepto foi preso porque durante um jogo feminino chamou nomes às jogadoras adversárias. O mundo está mesmo estúpido e já nem no futebol se pode libertar a adrenalina acumulada. Vão dar sangue!
Telegramas
Crocodilos contra imigrantes
O fenómeno da imigração descontrolada não é um exclusivo da Europa ou dos EUA, e há quem ponha em prática soluções radicais para controlar as fronteiras, como é o caso da Índia. As autoridades chegaram à conclusão que em áreas pantanosas e onde as cercas não são eficazes, o melhor mesmo será colocar cobras venenosas e crocodilos ao longo de 175 quilómetros de fronteira com o Bangladesh. O Governo defende que os ‘bichos’ funcionarão como repelentes naturais e barreiras biológicas. Ninguém duvida, além de que por ali não se fala em direitos humanos...
Agravem tudo, menos a cerveja
No Brasil de Lula, cada vez mais wokista, o Governo tinha intenções de criar um imposto, chamado de pecado, que, a partir de 2027, incidiria sobre «produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como as bebidas alcoólicas», segundo O Globo. Mas Lula sabe bem que povo sem direito a cervejinha geladinha dá confusão e vai daí terá dado ordens para a cerveja só ser taxada depois das eleições...
O Papa e a bênção a casais gays
A célebre expressão de bestial a besta num minuto pode aplicar-se plenamente ao Papa Leão XIV. Quando enfrentou Donald Trump e defendeu a paz, meio mundo, entre católicos e ateus, aplaudiu o líder máximo da Igreja Católica. Quando em África denunciou as desigualdades, condenando a corrupção dos poderosos, teve também direito a aplausos de meio mundo. Mas quando no avião de regresso a casa foi questionado sobre a bênção a casais do mesmo sexo, aprovada por 14 das 27 dioceses alemãs, o sucessor de Francisco foi claro: todos são bem aceites no reino de Deus, mas as questões do sexo não devem ter prioridade em relação a «temas morais mais amplos e urgentes, como justiça, igualdade, liberdade de homens e mulheres e liberdade religiosa, que deveriam receber prioridade no debate público da Igreja». É óbvio que Leão XIV não quer partir a Igreja aos bocados. Imagine-se o que seria da Igreja Católica nos países africanos, por exemplo, onde a homossexualidade pode ser condenada com pena de morte. O Papa, no fundo, quer ganhar tempo.