O embaixador de Israel em Portugal está a tornar-se um fenómeno nas redes sociais, pois não se inibe de fazer uma crítica feroz à comunicação social portuguesa. Acho piada ao registo, pois quem escreve tem de estar sujeito à crítica. Mas, confesso, Oren Rozenblat, o dito embaixador, às vezes, é bastante assertivo, colocando o dedo na ferida: há notícias que merecem um destaque inusitado, e enviesado, enquanto outras são deitadas para baixo do tapete e é como se não existissem, devido ao ódio aos Estados Unidos da América e a Israel.
O caso mais paradigmático que Oren destacou é o conflito que se vive noIrão. O país está praticamente a ferro e fogo e pouco se diz em Portugal. O mais impressionante é que o povo está farto da garrote que tem há anos, imposto pelo regime dos aiatolas, onde as mulheres podem ser mortas por não usarem um lenço na cabeça, mas boa parte das cabeças bem pensantes de Portugal entende que o Irão é vítima da opressão americana e israelita. Isto faz algum sentido? Um país com uma cultura tão rica ser destruído por fundamentalistas e não merecer o repúdio dos democratas é incompreensível para mim.
Não sei se o regime dos aiatolas cair se os iranianos vão ficar melhor, pois por aquelas bandas há sempre alguém que é mais fundamentalista do que o outro. Acredito que pior deve ser possível, mas quem vive no Afeganistão não deve concordar comigo. Esperemos pois que o povo iraniano consiga libertar-se do regime ditatorial e que os EUA e Israel se mantenham bem longe do território, para lá dos seus interesses comerciais, à semelhança da Rússia ou da China.
Se o Irão está desaparecido ou ‘escondido’ do radar mediático, o mesmo não se pode dizer da Venezuela, que tem alimentado discussões ferozes, entre os dois lados da barricada. Parece até que o assunto ganhou laivos matemáticos, do género: ‘Se és contra a invasão russa na Ucrânia, tens de ser contra a ‘invasão’ americana na Venezuela. Ou, ‘se és contra a detenção de Maduro também és contra a morte de Bin Laden’ e por aí fora. Eu estive com um amigo, que muito prezo, e que foi obrigado a deixar aVenezuela para fugir à ditadura de Chávez. Ele estava bastante contente, pois espera poder recuperar a dupla nacionalidade, mas, ao mesmo tempo, estava receoso sobre o que se poderá passar a seguir. «Vítor, não tens ideia de como as milícias estão armadas e de como não será líquido que haverá uma transição democrática». Eu questionei-o sobre a ingerência americana nos negócios do petróleo e na governação. Resposta dele: «Olha, sobre o petróleo, a verdade é que há muitos anos que os venezuelanos não beneficiam um dólar com o mesmo. Acredito que com os americanos até possam ganhar mais, embora tenhamos que lutar pelos nossos direitos. Quanto à gerência governamental, isso também é inaceitável». Não posso estar mais de acordo.
Telegramas
Lisboa, menina e buracos
Andar na capital, e não só, é um verdadeiro teste às capacidades automobilísticas de cada, tantos são os buracos de que é preciso ‘fugir’. Moedas só andará de Metro para não perceber como estão as estradas lisboetas?
Comboios fantasmas
Duas autarquias, Vila Franca de Xira e Figueira da Foz, queixaram-se, esta semana, das condições degradantes das instalações ferroviárias, pedindo à Infraestruturas de Portugal que faça alguma coisa para acabar com o cenário de miséria. Como é possível as estações, e os locais de aceso, bem os edifícios se encontrarem ao abandono ou completamente impróprios para consumo. Seguramente que muitas outras autarquias se podem juntar aos protestos contra a Infraestruturas de Portugal e a Comboios de Portugal. Em Lisboa, em Alcântara, pior é impossível. Pelo menos na última vez que andei por lá.
Pior é impossível
Sobre o julgamento de José Sócrates já se disse tudo, e o animal feroz e os seus advogados até podem ter razão desta vez. O julgamento foi adiado, mais uma vez, agora por doença do causídico. Esperemos que José Preto não fique internado durante meses e que tenha, ao contrário dos médicos, de picar o ponto sempre que tenha de sair do hospital. Sócrates, de uma maneira ou de outra, está a conseguir levar a sua avante. Vergonhoso.
Gaza nos Olivais
Escrevo há muitos anos sobre criminalidade e violência, fiz várias rusgas com a PSP em bairros conotados com o tráfico de armas, em Lisboa, mas nunca pensei que nos Olivais, o meu bairro, o Ano Novo fosse festejado com tiros de armas automáticas. Quanto tempo será preciso para apanhar os autores? Ou será que o exemplo se irá multiplicar?
Fim da música
Tudo acaba, mas a música nunca pode parar. Mas não foi o que aconteceu com a MTV Europe, que terminou as suas emissões de música. É o fim de uma forma de vida. Paz à sua alma.