quarta-feira, 22 jul. 2026

Crime racista no Reino Unido

Nowak dizia que tinha sido esfaqueado e que não conseguia respirar, mas a Polícia acreditou que era um racista e algemou-o até à morte.

Nos tempos que correm é preciso bom senso para falar de assuntos melindrosos, mas não falar deles é bem mais perigoso. Vamos então aos factos, com as devidas cautelas. Em Southampton, em dezembro último, Henry Nowak estava no lugar errado à hora errada, pois encontrou pela frente Vickrum Digwa, um jovem de origem sikh, que empunhava uma faca de 21 centímetros. Sem se saber porquê, Digwa deu cinco facadas em Nowak, e este ainda tentou fugir. A Polícia, segundo consta, terá sido chamada pelo irmão de Digwa, e quando chegou ao local deu ouvidos a Digwa, que disse ter sido alvo de atitudes racistas, e que Nowak lhe tinha tirado o turbante. Enquanto isto, Nowak contorcia-se no chão e afirmava ter sido esfaqueado e que não conseguia respirar. A Polícia, dando crédito ao jovem sikh, continuava a algemar o jovem que implorava ajuda, pois não conseguia respirar e tinha sido esfaqueado. Nowak acabou por morrer algemado, e Digwa só mais tarde acabaria por responder perante a justiça, mas já lá vamos.

Como é óbvio, quem está minimamente informado, ao ouvir este relato, recorda-se imediatamente do caso do negro George Floyd, que em 2020, em Minneapolis, nos EUA, foi algemado por polícias brancos – diga-se que com uma brutalidade não comparável à da polícia britânica – e que dizia que não conseguia respirar, à semelhança de Nowak._Na altura, houve desacatos violentíssimos que levaram à detenção de milhares de pessoas que se manifestavam contra o racismo.

Em Southampton, os protestos não têm sido tão violentos, mas o caldo está entornado, alegando-se aqui que os polícias ligaram mais a um sikh que se dizia vítima de racismo do que a um jovem branco que tinha sido esfaqueado por ser... branco, calcula-se. Num caso como no outro, a discussão só foi possível porque os polícias tinham as famosas bodycams, câmaras coladas ao corpo que filmam a ação policial – em Portugal anda-se de concurso em concurso, mas as câmaras nunca mais chegam.

A grande questão, num caso como no outro, é que não se deve esconder nada, até para evitar generalizações, e a Polícia britânica terá que explicar aos súbditos de sua Majestade a razão para ter acreditado em alguém devido à sua etnia, em detrimento de outro cidadão, no caso caucasiano. São muitos os relatos de que no Reino Unido, supostamente, as polícias ‘defendem’, sempre que há algum conflito, as comunidades muçulmanas contra os católicos ou protestantes. Qualquer pessoa de bom senso concorda que as minorias devem ser defendidas, mas só o devem ser quando têm razão. Não é por se ser minoria que se tem razão, como se provou no caso em apreço.

A comunidade, ou Federação Sikh, como vi na tradução de um jornal inglês, já veio explicar que a faca que Digwa usou não é religiosa, que tem o nome de Kirpan. E aqui entramos noutro pormenor, qual a razão para determinadas etnias poderem usar facas com lâminas de 20 centímetros e outras não? Se calhar, devem poder usar essas facas religiosas em acontecimentos privados, longe dos outros. Nada contra.

Outro dado que me chamou a atenção nesta história macabra, e foi inevitável, foi fazer a comparação com a Justiça portuguesa. Nowak foi assassinado em dezembro, no dia 1 de junho Digwa foi condenado a prisão perpétua, não podendo sair antes de cumprir 21 anos de cadeia. A mãe, que foi considerada cúmplice, por ter escondido a arma, conhecerá a sentença em 17 de julho.

Infelizmente, como estes temas são muitas vezes escondidos, já que, por costume, só se denunciam os crimes cometidos por uns, o histriónico Nigem Farage já veio defender o impensável, em mensagens cheias de ódio, apelando à vingança, como se todos os sikhs fossem Digwa. Haja juízo.

Telegramas

O sonho dos tristes

O PSG foi campeão da Europa, pelo segundo ano consecutivo, e Paris voltou a arder, com uns selvagens a destruir tudo o que conseguiram. Foram detidas quase mil pessoas, duas morreram, houve vários feridos graves, entre os quais polícias, mas a Justiça devia ser bem pesada para quem provocou o caos. Como não podia deixar de ser, em Portugal, na greve geral, meia dúzia de tontos quis imitar os selvagens de Paris, prejudicando quem estava a fazer greve e a manifestar-se tranquilamente. Seguramente que a Justiça também será benevolente com os meninos rabinos...

Um ministro avisado

O ministro da Administração Interna fez questão de tentar desmentir a nossa notícia da semana passada de que tinha sido surpreendido com o facto do diretor nacional da PSP ter concorrido ao cargo de diretor executivo da Europol. Luís Neves só não teria sido surpreendido se fosse ele a sugerir a Luís Carrilho para concorrer ao cargo internacional. É tão óbvio que até chateia. Com os problemas que tem para resolver nos aeroportos, com a falta de polícias, com as negociações com os sindicatos, com o SIRESP e os fogos, só lhe faltava ter que arranjar um novo diretor nacional para a PSP. Elementar, meu caro Luís Neves.