Portugal Precisa de um Governo Liberal. Não de Projetos Pessoais

A Iniciativa Liberal é maior do que qualquer protagonismo — e tem de se preparar para governar.

Há momentos em que um partido tem de escolher: continuar a existir ou começar a construir o que veio fazer. A Iniciativa Liberal chegou a esse momento.

Entrei neste partido porque vi nele o que Portugal precisava — não uma alternativa ao sistema, mas um sistema alternativo. Não vim para comentar. Vim porque aprendi que quem vê o que é preciso fazer e não age está, na prática, a perpetuar o que critica. E aprendi mais: que os princípios liberais não são slogans para debates — são instruções de construção. E há trabalho que não pode esperar por consensos cómodos nem por calendários alheios.

É por isso que, discretamente, mas sem hesitação, esse trabalho já começou. Não com anúncios, não com manifestos, não com guerras de bastidores. Mas com método. Com conversas certas, com pessoas certas, com o tipo de preparação que diferencia quem quer estar no poder de quem está pronto para exercê-lo. Há equipas a formar-se. Há visão a estruturar-se. Há um plano a ganhar forma — não para o próximo ciclo, mas para a próxima década.

E há algo mais importante: há pessoas dentro e fora da IL — algumas que nem se conhecem ainda — que perceberam o mesmo. Que já não aceitam que o partido seja refém de egos ou palco para regressos calculados. Que sabem que ou nos preparamos agora para governar a sério, ou desperdiçamos a única oportunidade de mudar Portugal que esta geração terá.

Portugal não espera. E quem está a construir isto também não.

 

Mas para construir o futuro, é preciso entender o que trouxe a IL até aqui — e o que a pode impedir de chegar onde tem de chegar.

Há partidos que nascem para preencher espaços. E há partidos que nascem para abrir caminhos.

A Iniciativa Liberal foi criada porque havia um país inteiro a precisar de alguém que dissesse verdades incómodas, que quebrasse consensos preguiçosos, que tivesse coragem para propor o que funciona. E isso foi feito. Contra todas as probabilidades, a IL colocou Portugal a falar do que ninguém queria falar: a insustentabilidade do Estado Social tal como está desenhado, a carga fiscal brutal sobre quem trabalha, o mercado da habitação travado pelo próprio Estado.

O país respondeu. Porque as pessoas sabem quando alguém lhes está a vender ilusões e quando alguém lhes está a dizer a verdade.

Um momento de viragem

Nas últimas semanas, algo mudou profundamente: a percepção de que o país não está condenado. De que temos o direito de imaginar Portugal à altura da nossa capacidade.

Esse sentimento — esse voltar a acreditar — não pertence a ninguém. Não se resume a uma cara, a um nome, a uma candidatura. Pertence ao país. E é profundamente liberal.

Mas há uma verdade que temos de enfrentar: a IL ainda não deu ao país aquilo que o país já está pronto para receber.

Não por falta de talento ou ideias. Mas porque ainda estamos a jogar pequeno quando podíamos estar a jogar grande. O potencial está lá. O eleitorado está lá. A oportunidade histórica está lá. O que falta é uma IL que perceba que já não basta ser necessária. É preciso ser suficiente, até mais do que isso, ser indispensável. E isso exige escolhas.

 

A responsabilidade agora é de quem fica a construir.

Não de quem já saiu. Não de quem prepara saídas estratégicas para regressos calculados. Não de quem espera que o palco fique livre para voltar ao centro da ribalta, transformando um projeto coletivo numa plataforma pessoal.

Os partidos são instrumentos. As ideias são permanentes. E quando alguém coloca o seu protagonismo acima da missão, quando prefere manter portas abertas para futuros próprios em vez de fechar compromissos com o presente coletivo, não está a servir a causa — está a servir-se dela.

A IL tem de ser maior do que isso. Maior do que qualquer ego. Maior do que qualquer agenda individual disfarçada de contributo. Porque Portugal não precisa de quem volte quando lhe der jeito. Precisa de quem fique quando é difícil. E é isso que está a acontecer.

 

O que Portugal merece

Um governo liberal não é um governo pequeno por princípio. É um governo eficaz por obrigação. É saber desenhar o Estado para que funcione, garantir que os impostos servem para algo, criar regras claras, proteger os mais vulneráveis sem criar armadilhas de pobreza.

Isso, Portugal nunca teve. Mas está pronto para ter.

A missão da Iniciativa Liberal — mudar Portugal para sempre, torná-lo mais livre, mais próspero, mais justo — está longe de estar concluída. Está apenas a começar.

Mas só se deixarmos de pensar pequeno. Só se assumirmos que somos alternativa, não apenas oposição. Ser alternativa de governo não é combater a esquerda - é resolver os problemas das pessoas. Não é demonizar o Estado - é torná-lo eficaz. Não é repetir slogans sobre impostos - é apresentar planos concretos para saúde, educação, habitação, justiça. Não é reagir às agendas dos outros - é marcar a agenda com o que realmente importa.

O país não nos pede mais críticas — pede soluções credíveis, equipas prontas, visão de longo prazo. Portugal pede um governo liberal.

Portugal está pronto. A questão é: estamos nós? Há quem esteja. Há quem saiba que este é o momento. Há quem não precise de esperar que o palco fique vazio para começar a construir. Porque o país não pode esperar. E a IL tem de estar à altura do que Portugal já lhe está a pedir.

Está na hora de pensar diferente, como país e como partido. Está na hora de liderar. E liderança não se anuncia — constrói-se. Agora.

 Militante da Iniciativa Liberal