quarta-feira, 13 mai. 2026

Seguro contra a corrupção

António José Seguro faria um enorme serviço à comunidade se mantivesse firme o combate no dossier do pacto para a Saúde, bem como o acompanhamento dos apoios para as populações afetadas pelas tempestades.

Antes da bonita mensagem que dedicou aos jovens nas comemorações do 25 de Abril, houve algo que a antecedeu deveras marcante. Aquele momento em que Antonio José Seguro decidiu implodir a tentativa de tornar os donativos partidários sigilosos, permitindo manter secreta a identidade de quem os pretende financiar.

António José Seguro é um político sólido na sua coerência, não vai atrás do ar dos tempos e a prova disso é claramente esta. O Presidente da República ainda quando era líder do PS já tinha como seu cavalo de batalha a questão da luta titânica da transparência contra a opacidade.

No dia anterior ao seu discurso, surgia uma sondagem que exibia que os mais desalentados com o 25 de abril tinham como maior preocupação a corrupção que, efectivamente, é um prego dilacerante que corrói as democracias.

Por essas alturas, também passámos a saber que a Entidade para a Transparência apenas conseguiu fiscalizar dez por cento dos titulares de cargos públicos, mais de 800 num universo de 8 mil. Ora, é aqui que não se pode tergiversar. Todos sabemos que António José Seguro tem como pedra de toque da sua magistratura de influência o dossier do pacto para a Saúde, bem como o acompanhamento dos apoios para as populações afectadas pelas tempestades, mas julgo que faria um enorme serviço à comunidade se mantivesse firme este combate.

Belém deve manter calibrada esta arma de pressão, exigir mais meios de fiscalização, pedir celeridade nas averiguações, bem como não deixar de estar vigilante aos tempos da Justiça. O que se passa com a Operação Marquês, onde é ignominioso o exercício de José Sócrates tendente à prescrição do processo, é uma vergonha para todos, para lá de agravar o descrédito do Ministério Público.

Porque falta cumprir Abril. E essa meta vem com a melhoria da vida das pessoas, garantir acesso a trabalho, saúde, educação e habitação, e não deixar que o ressentimento e a descrença contra os poderes do Estado se instale definitivamente.

A transparência é uma exigência dos tempos modernos e a luta contra a corrupção não é bandeira de esquerda ou de direita, é pura sensatez. Ainda bem que António José Seguro há muitos anos que é um paladino contra esta praga endémica.

P.S. - Só há um culpado da notícia intolerável que mostrou que Álvaro Santos Pereira fez investimentos após ser governador do Banco de Portugal que não são permitidos. E os culpados não são jornalistas nem comentadores, é apenas o próprio que devia saber as linhas com que se cosia. Para lá de outro factor: investiu na Galp e Jerónimo Martins (empresas que me merecem todo o respeito). Sabendo que essa decisão foi tomada em dezembro, não podemos ser tenrinhos ao ponto de compreender que quem leu ou viu os títulos da notícia, fica a pensar que Álvaro Santos Pereira apostou em empresas que viriam a ganhar muito dinheiro com a crise espoletada pelo ataque ao Irão. Sabemos que o Governador do Banco de Portugal não investiu com dolo e é pessoa séria, todavia, fica clarinho como a água que é muito ingénuo.

Comentador CNN