segunda-feira, 18 mai. 2026

Radiografia de um mestrado: do estudo ao impacto na comunidade

Neste percurso, aprendemos sobretudo a confiar uns nos outros e a perceber que dificilmente se faz este percurso sozinho.

Comecei o meu percurso no Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, em 2020, em pleno auge da pandemia de COVID-19. Aquilo que normalmente é descrito como um dos melhores períodos da vida académica começou atrás de um ecrã, com incerteza e sem saber bem o que esperar. Entre aulas online, semanas passadas em casa e idas intermitentes ao campus, fui tentando adaptar-me a uma realidade que estava constantemente a mudar. Não foi o início que imaginei, mas foi o que me obrigou, desde cedo, a desenvolver capacidade de adaptação e alguma resiliência.

Estudar Engenharia Química no Técnico é, por si só, exigente. É um curso que pede consistência, rigor e tempo. Ao longo destes anos, houve exames que não correram como esperado, cadeiras que exigiram mais do que antecipávamos e momentos em que foi preciso insistir mais do que parecia razoável. Nem tudo fez sentido à primeira. E muitas vezes foi necessário voltar atrás, rever, tentar de novo. Mas é também nesse processo que se constrói uma parte importante do que levamos connosco: a capacidade de pensar de forma estruturada, de resolver problemas e de continuar, mesmo quando o caminho não é evidente.

Ao mesmo tempo, a experiência académica não se resume ao que acontece dentro da sala de aula. Faz-se muito nas pessoas e nas experiências que vamos acumulando. Nos colegas que começam por ser apenas quem se senta ao nosso lado nas aulas e acabam por ficar para a vida. Nos docentes que nos desafiam e nos puxam mais um pouco, mesmo quando achamos que já não conseguimos.

No meu caso, uma parte muito relevante do percurso passou pela Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico. Comecei por ajudar na organização de feiras de emprego, sem grande noção do impacto que esse envolvimento viria a ter. Com o tempo, fui assumindo mais responsabilidades e, três anos depois, desempenhei funções como tesoureira. Esse papel implicou ser representante legal de uma das associações de estudantes mais influentes do país, com uma história centenária, o que trouxe um nível de responsabilidade que não é comum associar à vida académica.

Foi uma experiência exigente, mas também uma das mais marcantes do meu percurso. Permitiu-me desenvolver competências como organização, gestão, capacidade de tomada de decisão e trabalho em equipa. E essa experiência deu-me uma perspetiva mais concreta sobre o impacto que podemos ter na comunidade à nossa volta. Acabou por complementar, de forma muito direta, aquilo que fui aprendendo no curso.

Ao longo destes cinco anos, aprendemos a gerir o tempo, a lidar com a frustração e a trabalhar sob pressão. Mas, acima de tudo, aprendemos a confiar uns nos outros e a perceber que dificilmente se faz este percurso sozinho.

Entrámos no Técnico em isolamento. Saímos unidos, mais preparados e mais conscientes do nosso valor.

Agora, muitos de nós começam novos desafios, seja no mercado de trabalho, em investigação, em novas cidades ou até noutros países. Independentemente do caminho, levamos connosco mais do que o curso. Levamos amizades, memórias, momentos que correram bem e outros menos bem, e a confiança de que conseguimos adaptar-nos ao que vier.

Se tivesse de deixar um conselho a quem está agora a começar. Seria simples: aproveitem tudo o que o Técnico tem para oferecer, dentro e fora da sala de aula. Nem sempre vão ser os melhores, e isso faz parte. O importante é experimentar, falhar, aprender e continuar.

No fim, não é apenas o curso que levamos. É tudo o que construímos ao longo do caminho.

E isso fica.

Alumna recém-graduada do 2.º ciclo em Engenharia Química do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa

* Texto adaptado do discurso proferido no Dia da Graduação 2026, de celebração dos diplomados em mestrado e doutoramento do Técnico.