Votar nulo é tão legitimo como votar em um dos candidatos e é um sinal de maturidade. Na escolha entre o desadequado e o não adequado, entre duas péssimas alternativas, não há um mal menor. Há dois maus candidatos, ponto final. Ao contrário do que se diz na comunicação social, a opção pelo mal menor é uma falsa escolha e é uma tentativa de desresponsabilizar os eleitores que é apresentada por quem quer beneficiar um dos candidatos.
Votar nulo significa assumir o voto com responsabilidade. E é fácil explicar porquê. O voto expressa uma vontade associada aos valores morais, às ideias e aos interesses de cada eleitor. Muitos dos meus concidadãos estarão a pensar qual dos candidatos preenche os requisitos. Se pensamos um pouco concluímos que nenhum deles serve bem os portugueses e que o voto nulo é a única alternativa sensata.
Onde a André aVentura falta prudência para agir corretamente e ponderar as consequências do que diz, a António inSeguro falta coragem para enfrentar dificuldades e perseverar. O primeiro apenas quer ser presidente de alguns portugueses e o segundo rapidamente cedeu à pressão do PS e quebrou o acordo com Passos Coelho sobre o IRC para se manter líder.
O Presidente não governa, mas pode estragar a governação. O socialismo de Seguro e o populismo de Ventura são um caminho para o empobrecimento do país. Seguro é mais do mesmo que estagnou o país e fará a promoção do socialismo que atrasou Portugal. Ventura é um populismo sem ideias e sem propostas que não é alternativa a 30 anos de estagnação socialista.
Seguro afirma que não promulga a reforma laboral, a lei da nacionalidade ou o controlo da imigração para atrair a esquerda e diz que não vai criar dificuldades ao governo para captar a direita, numa contradição que mostra que apenas conta o seu interesse. Ventura aposta na confusão para gerar descontentamento e quer ser líder da direita sem nada dizer pela positiva.
A “honestidade” de cada um é colocar o seu interesse próprio à frente do interesse dos outros. Seguro nunca recusou os erros que trouxeram a troika, a corrupção e o apoio a Sócrates, as dificuldades criadas a dezenas de milhares de portugueses, o descontrolo da imigração ou a falta de habitação que resultou do socialismo. É um socialista que não esteve afastado da política por vontade própria, mas porque foi incapaz de nela se manter. Se dele dependesse nunca teria saído da política e teria continuado a apoiar o descalabro socialista.
O populismo de Ventura é diferente, mas não é melhor. É um vazio com uma só ideia: apoiar o que dá votos - mais salários, mais pensões, menos “tachos” - e recusar o que os tira. Na prática, quer extrair dos contribuintes mais impostos para distribuir pelos apoiantes. Ambos vão contra os interesses dos portugueses quando privilegiam a imposição da vontade por um poder centralizado na mão de burocratas ao seu serviço.
Temos um socialista que absolutiza a igualdade, confundindo-a com justiça, e que em nome da ideologia fica calado perante as “meninas que têm pilinha”, as crianças que são violentadas para o resto da vida ou sobre a presença de homens em prisões ou em provas femininas. E temos um populista que defende a igualdade e a justiça quando lhe é útil, mas não sabemos o que entende sobre as duas.
Tanto o socialista como o populista usam a religião para ganhar votos. Manipular os valores cristãos é tanto uma hipocrisia do populista que se deixa filmar à saída da Missa como do socialista ateu que vai à Missa para agradar ao eleitorado. E ambos falam de humanismo e secundarizam o valor da vida quando apoiam leis que levam à morte dos que ainda não nasceram e dos que ainda não morreram.
Sem valores, sem ideias e sem qualquer interesse pelos dois candidatos o que é que fica? A realidade é que quando os dois candidatos não são confiáveis, não são alternativas aceitáveis. Numa segunda volta em que ambos são prejudiciais para Portugal, a única opção que resta é votar nulo e não os legitimar.
Militante do CDS-PP