segunda-feira, 13 abr. 2026

PPD/PSD, Sá Carneiro, Cavaco Silva, Passos Coelho e os outros

Como em tudo na vida, nem todos tiveram o mesmo mediatismo e sucesso no partido e muito menos no Governo, por isso resolvi identificar os três que mais dignificaram o partido.

Falar de um partido político em que a sua história ultrapassou meio século não é fácil, mas ainda mais difícil é falar dos 19 líderes que o PPD/PSD teve.

Como em tudo na vida, nem todos tiveram o mesmo mediatismo e sucesso no partido e muito menos no Governo, por isso resolvi identificar os três que mais dignificaram o partido.

Começando por Sá Carneiro, fundador e primeiro presidente do PPD/PSD. A ele se deve o posicionamento do partido social-democrata, mas foi muito mais, um humanista reformista. Como primeiro-ministro focou-se numa democracia tipo ocidental, baseada na dignidade humana, liberdade, justiça social e solidariedade, distanciando-se tanto do socialismo do Estado como do liberalismo económico puro. Defendeu a modernização de Portugal e o combate à pobreza. Sá Carneiro é considerado um dos fundadores da democracia moderna, reconciliando a direita com o regime democrático após o 25 de Abril de 1974. Foi sempre até ao seu fim trágico, um político do centro. A sua Personalidade a sua coragem e o seu carisma, continua a ser a maior referência do PPD/PSD.

Cavaco Silva, uma das figuras mais influentes do PPD/PSD. Após a morte de Sá Carneiro, liderou o partido entre 1985/1995. Estes anos foram marcados pela modernização e maiorias absolutas. Também nesse período de tempo foi primeiro-ministro. O seu governo é associado a um forte ímpeto reformista, crescimento económico e à modernização do país no contexto de integração europeia. Defendeu «uma social democracia moderna» e a estabilidade governativa. Cavaco Silva, destaca a determinação e a liderança de Sá Carneiro, fundador do PPD/PSD, como inspiração para a sua própria trajetória.

Passos Coelho, desde a sua ascensão à liderança do PPD/PSD, afirmou-se como um reformista, defendendo mudanças estruturais na economia e no Estado. Como primeiro-ministro 2011/2015, foi obrigado pelas circunstâncias a implementar uma austeridade rigorosa, mas com profundas reformas estruturais. Assumiu o poder em pleno Ajustamento Financeiro ‘troika’. Apesar de o país se encontrar em situação de resgate financeiro, Passos Coelho, cumpriu estritamente o programa de ajustamento para recuperar a credibilidade financeira de Portugal. O país saiu do programa de resgate em maio de 2014. O seu governo promoveu reformas estruturais no mercado de trabalho, na justiça, visando aumentar a competitividade e o investimento. Com todas estas dificuldades financeiras e austeridade, o PPD/PSD em 2015 voltou a ganhar as eleições legislativas.

Já algum tempo que Passos Coelho, tem feito um interregno na política ativa e partidária, mas o seu percurso, a sua coragem, a sua inteligência, o seu carisma e o seu inconformismo manifestado nas suas intervenções, de facto, é reconhecido como o político do centro-direita mais desejado e mais amado pelos portugueses.

Passos Coelho, tal como Cavaco Silva, seguiram sempre o pensamento político de Sá Carneiro «Primeiro o País, depois o partido e, por fim, a circunstância pessoal de cada um».

Quando comecei este artigo, mencionei Sá Carneiro, Cavaco Silva e Passos Coelho, não é desprestigiar todos os outros ex-líderes que merecem a maior consideração, apenas o fiz porque estes representaram o partido e o governo em períodos difíceis.

Com o atual líder do PPD/PSD, o que temos hoje? Que referências ou ideologia tem o atual líder no partido e no Governo? Quais as reformas de Luís Montenegro? Arranjar emprego aos amigos? Luís Montenegro ‘tem um comportamento errático’. A sua liderança é feita de táticas e de intrigas e não de ação. Nada tem a ver com Sá Carneiro, Cavaco Silva, Passos Coelho, e outros líderes e militantes onde me incluo. 

Professora universitária de Gestão e Economia