A nova coqueluche do presente governo, empossado há escassas semanas, deve a sua ascensão ao lugar máximo de responsabilidade pela segurança interna do País como paga pelos péssimos serviços a este prestados, enquanto dirigiu a Polícia Judiciária.
Na verdade, Luís Neves é um dos principais culpados pelo aumento generalizado da criminalidade violenta, porque descurou, ostensivamente, as competências mais relevantes da Polícia que chefiou durante meia dúzia de anos, que são, precisamente, as do combate ao banditismo organizado.
A sua grande preocupação foi, regra geral, a de se envolver em operações de extrema envergadura, mas direccionadas exclusivamente a crimes de natureza económica e, como agora é moda, de ódio, com o recurso a efectivos desmesurados e sempre com a imprensa atrás, aparecendo, dessa forma, como uma figura fortemente empenhada em garantir a paz social e o bem-estar das populações.
As constantes fugas de informação, em que até os interrogatórios em sede da PJ eram cabalmente transcritos nos noticiários dos vários canais informativos, contribuíram para a sua imagem de homem determinado e impoluto que se foi construindo junto da opinião pública, com o indispensável auxílio, claro está, de uma imprensa interesseira e desprovida de valores morais.
Grande parte dessas mediáticas operações resultaram em nada, com detenções fora do flagrante delito a não serem corroboradas pelas autoridades judiciárias e buscas domiciliárias e a locais de trabalho a verificarem-se infrutíferas.
Todos nos recordamos do extraordinário aparato observado numa viagem de avião à Madeira, com centenas de operacionais da PJ e do Ministério Público, e em que o principal visado, o presidente do governo regional, não só passou pelos pingos da chuva como se recandidatou ao cargo de que procuraram destituí-lo e foi de novo sufragado pelos madeirenses.
E das buscas à Câmara Municipal de Albufeira, cujo objectivo era o da apreensão de provas de declarações proferidas publicamente pelo seu edil e cujas gravações eram do conhecimento geral e se encontravam à mercê de todos, bastando, para o efeito, procurá-las na internet!
Além de mais, tentou-se imputar ao presidente da câmara a prática de um crime de ódio e incitamento à violência, quando ele se limitou a reproduzir, em sessão camarária, as promessas eleitorais que o conduziram à vitória, razão pela qual nem sequer foi constituído arguido pela magistratura judicial!
Ou de uma busca à cela de um preso, na sequência de uma actuação contra um grupo supostamente terrorista, referenciado como de extrema-direita, claro está, e em que as apreensões mais relevantes foram uma tshirt e um exemplar de um jornal semanal.
O combate ao crime violento, aquele que, na verdade, cria insegurança e medo junto das populações, nunca foi uma prioridade para o então director da PJ e agora ministro, que sempre o identificou como meras percepções, negando categoricamente qualquer relação entre o aumento da criminalidade e a descontrolada imigração.
Vivemos num cenário em que se sucedem os assaltos a residências, mesmo com os inquilinos no seu interior e, regra-geral, acabando bastante mal-tratados pelos saqueadores; nas ruas mais movimentadas das principais cidades o risco de se ser assaltado é constante, tendo como mais recente estilo o roubo de relógios valiosos retirados à força dos pulsos das vítimas, sobretudo turistas; carteiristas, maioritariamente provenientes da Europa de leste e do norte de África, agem impunemente, sobretudo nos locais mais frequentados por aqueles que nos visitam e que aqui deixam as divisas que têm fortemente contribuído para um tímido crescimento económico do País; as violações a mulheres indefesas dispararam, sabendo-se que muitos dos violadores são provenientes da Ásia Central; os assassinatos, com o recurso a armas brancas ou de fogo, tornaram-se uma praga diária; e os arbitrários esfaqueamentos nas vias públicas, que têm lançado o pânico em diversas cidades europeias, começaram já a dar os primeiros passos entre nós.
Acresce que grande parte destas acções criminosas mais violentas são perpetradas por máfias de extrema perigosidade que se têm-se instalado livremente em Portugal, sendo que as mais temidas são ramificações de grupos criminosos altamente organizados que tornaram o Brasil num dos países mais inseguros do mundo.
Mas a tudo isto o novo ministro assobia para o lado, insistido na estapafúrdia negação de que a insegurança esteja a atingir níveis preocupantes e de que em parte este fenómeno se deva a uma considerável percentagem dos imigrantes que aqui têm aportado nos últimos anos.
Numa recente entrevista televisiva, Luís Neves, para justificar o seu ponto de vista, deu como exemplo a grande diminuição que se tem verificado no assalto a estações de serviço de
combustíveis, fingindo ignorar que essa realidade assenta no facto de que estas já não lidam com dinheiro físico, porque os pagamentos são quase todos efectuados através de cartões bancários, pelo que aquele tipo de roubo deixou de ser lucrativo!
No entanto, e num esforço de tranquilizar os mais receosos pelo clima de insegurança que se vive em largas partes do País, as tais percepções, segundo o raciocínio de quem tem agora tutela as Polícias, Luís Neves veio a terreiro anunciar as principais medidas que vai implementar para que todos possamos dormir mais descansados: a aquisição de mais radares de controlo de velocidade e a expulsão das forças de segurança de quem não preencher o perfil considerado indispensável para o exercício de funções de natureza policial.
Quanto aos radares, o custo de mais uns quantos milhões de euros, a suportar pelos cofres do Estado, vai sair do bolso dos contribuintes, os quais ainda se encarregarão de garantir mais um imposto indirecto, por via das multas com que serão surpreendidos.
No que respeita à anunciada limpeza na GNR e na PSP, naturalmente que ninguém de bem estará em condições de questionar a expulsão das fileiras daqueles que venham a envergonhar a farda que vestem, mas teremos de estar a falar da prática de crimes dolosos, nomeadamente os que atentem contra a integridade física de inocentes cidadãos, de conluio com organizações criminosas ou de indevida apropriação de bens pertencentes a terceiros.
Entrar-se num jogo de caça às bruxas, espiando-se as redes sociais e definir-se o grau de licitude até ao qual cada um tem direito a expressar a sua consciência, é abrir-se uma autêntica caixa de pandora, em que a liberdade individual será substituída pela obrigação da adesão a um pensamento único.
Além de mais, o ministro da administração interna não se tem limitado a determinar, no recanto do seu gabinete, a expulsão de quem viola grosseiramente os deveres inerentes à Instituição que serve: faz gala disso!
Insinua-se como um verdadeiro caça-polícias e vangloria-se dos seus feitos, fazendo passar para a imprensa, como é seu hábito, os pormenores que deveriam ficar confinados aos departamentos de justiça das forças e serviços que tutela.
Esta postura, e instigada pelos jornaleiros que se multiplicam nos mais variados órgãos de comunicação social, apenas conduz a uma desconfiança do cidadão comum na sua Polícia, primeiro passo para a desobediência e desrespeito ao agente de autoridade no exercício das funções para as quais está mandatado.
Estamos, certamente, recordados daquele famigerado ministro da administração interna de Guterres, um tal de Costa, não o que agora se passeia pelos corredores de poder europeus, mas o Alberto, quando em público veio afirmar “Esta não é a minha Polícia”!
Muitos concluíram, na altura, que se não era a Polícia de quem por ela seria responsável, nesse caso também não poderia ser a deles, causa principal para o clima, então iniciado, de incumprimento generalizado de ordens legítimas emanadas por polícias em missões de serviço e de descarado desdém e menosprezo que alguns sectores da sociedade, os comprometidos com a prática de actividades contrárias ao interesse colectivo, com que passaram a encarar as organizações que têm como máxima obrigação garantir a segurança e a tranquilidade públicas.
Luís Neves, a insistir trilhar este caminho, constituindo-se como um Costa versão 2, vai causar danos, que poderão ser irreversíveis, na reputação das forças de segurança, condicionando negativamente, dessa forma, o desempenho do papel constitucional que a estas está atribuído.
Montenegro que se acautele. Com ministros destes, e deixando-os com rédea solta, corre o sério risco de, num futuro muito próximo, vir a estar a competir com o seu homólogo britânico para se apurar qual deles é o mais impopular junto do eleitorado que o elegeu!