O que têm em comum Paulo Portas, Assunção Cristas e Rodrigues dos Santos?
Foram os anteriores líderes do CDS, os três conduziram aquele partido à sua máxima insignificância e todos eles vieram bradar aos sete ventos o seu voto no candidato socialista!
Portas tomou o CDS de assalto recorrendo, precisamente, aos mesmos métodos daqueles que foram utilizados, muitos anos depois, por Costa para derrubar Seguro.
Portas não teve pejo nenhum em apunhalar pelas costas o até então seu amigo Manuel Monteiro, transformando a direcção do partido num ninho de víboras, no qual imperavam as intrigas mesquinhas e as vaidades pessoais.
Colocou o CDS no arco do poder e aproximou-o das teses mais liberais, abandonando as causas e a matriz cristã que o diferenciavam dos restantes partidos do sistema e dos interesses instalados, provocando, por essa via, um progressivamente afastamento das suas bases de apoio.
Assunção Cristas deixou-se cair em simpatias pela comunidade LGBT, advogando algumas das suas cruzadas, como o casamento homossexual e a adopção de crianças por casais homossexuais, ideias de sinal diametralmente opostas às preconizadas pela doutrina social da Igreja que esteve na génese do partido, insensatez que conduziu à debandada de uma parte dos seus militantes.
Rodrigues dos Santos, o Xicão, que chegou à liderança do CDS com o suporte da ala mais conservadora, criando expectativas que se vieram a revelar enganadoras, não conseguiu libertar-se da sua imaturidade e enveredou por um erro crasso ao identificar o Chega como o principal adversário, ao invés de procurar recuperar as bandeiras mais significativas que os seus antecessores deixaram cair e que encontraram abrigo naquele partido.
Consequência destas desastrosas lideranças foi o desaparecimento parlamentar do CDS, que apenas nas últimas legislativas, mas sem ter ido a escrutínio, voltou a ter dois assentos no parlamento e apenas graças à generosidade do PSD, que lhos ofereceu.
O espaço político até então ocupado pelo CDS foi gradualmente preenchido pelo Chega, que soube aproveitar o vazio existente à direita e pegou em causas muito queridas junto do eleitorado conservador, como o combate à ideologia do género, o controlo imigratório, o respeito das minorias pela maneira de ser e de estar dos portugueses, a primazia dos princípios e valores apregoados pelo cristianismo e a defesa do mundo rural.
O CDS, votado nos dias de hoje a um simples apêndice do PSD, do qual pouco se distingue em termos políticos e ideológicos, entendeu por bem apoiar o candidato social-democrata na primeira volta das presidenciais, optando, posteriormente, pela abstenção na segunda volta.
No entanto, grande parte dos seus dirigentes, em particular aqueles que cresceram à sombra de Portas, não se têm cansado de vir a terreiro apelar ao voto no socialista Seguro, uma cínica traição dentro de um partido que se destacou por ter sido o único a votar contra a Constituição imposta por Abril, exactamente por esta definir como meta o caminho para o socialismo.
Portas, nos tempos que correm vendido ao globalismo e não passando de uma simples marionete e vassalo dos democratas norte-americanos, aproveitando-se do palco que lhe é concedido pela TVI para nele debitar a sua habitual homilia dominical, veio-se justificar do seu sentido de voto, por, nas suas palavras, não querer uma cópia de Trump em Portugal.
Argumento infantil, desonesto e desprovido de qualquer razoabilidade, porque o presidente dos Estados Unidos é, por inerência, o chefe do governo, ou seja, detém o poder executivo, enquanto que no nosso País o Chefe de Estado não governa, limitando-se a exercer uma magistratura de influência.
Os pseudo-receios daquele comentador televisivo seguem a linha de toda a esquerda, cujo propósito tem sido o de semear o medo junto das populações, vendendo-lhes a teoria de que com André Ventura na presidência a democracia estará em perigo e a Constituição vigente terá os dias contados.
Sejamos honestos, se Ventura lograr tornar-se o próximo inquilino de Belém, em Portugal nada de significativo mudará!
Não que seja essa a sua vontade, mas sim porque estará impedido de alterar o rumo constitucional, tendo em conta que qualquer mexida na principal Lei portuguesa está dependente da aprovação de um mínimo de 2/3 dos deputados, patamar impossível de atingir pelo Chega.
O Estado português manter-se-á inalterado e as liberdades de cada um não sofrerão qualquer tipo de restrições.
A única previsível diferença em relação ao que nos habituámos com os anteriores presidentes, é que Ventura, na hipótese demasiada improvável de vencer as eleições de domingo, será bem mais exigente em questões relacionadas com a governação e não se sentirá minimamente constrangido em colocar o primeiro-ministro em xeque, sempre que este não corresponda às expectativas que dele venha a esperar.
Montenegro sabe disso, daí ter instruído os dirigentes do PSD que não exercem funções ministeriáveis para apelarem ao voto em Seguro, convencido de que este será um presidente mais dócil e cooperante do que seria Ventura.
Montenegro, bem como toda a panóplia dos auto-denominados não socialistas que se têm vindo a encostar a Seguro, a grande maioria deles por receio de virem a perder as benesses com que se têm alimentado, parece esquecer-se do que foram as presidências quando o PS nelas se instalou.
Mário Soares, reeleito com a benção de Cavaco Silva, no seu segundo mandato fez a vida negra ao primeiro-ministro, intrometendo-se sistematicamente nos assuntos do governo e assumindo o verdadeiro papel de líder da oposição.
O desgaste que provocou na acção governativa conduziu à vitória de Guterres e ao consequente pântano em que este depois deixou o País.
Jorge Sampaio demitiu um governo legítimo de coligação do PSD e do CDS, sem nenhuma razão aparente, e dissolveu o parlamento que gozava de uma maioria absoluta estável, oferecendo a governação a Sócrates, com as consequências daí resultantes e de todos conhecidas.
Seguro é um produto do guterrismo, cujos governos integrou, fez toda a sua carreira no aparelho do PS, sem nunca se afastar do socratismo, e acabou secretário-geral do partido, por falta de comparência de qualquer um dos dirigentes de peso da altura, cargo de que foi varrido por Costa por incapacidade para o exercício das funções.
Será, muito provavelmente, e por obra e graça dos partidos da direita envergonhada, o próximo presidente da república, sendo expectável que, uma vez instalado com armas e bagagens em Belém, a sua postura em nada se venha a diferenciar da dos outros dois socialistas que também por lá passaram.
Com Seguro na presidência, o PS recupera parte significativa do peso que viu fugir nas últimas legislativas e não vai desarmar até conseguir derrubar o governo de Montenegro e, através dessa via, regressar ao poder.
Os partidos que sustentam o actual executivo aparentam desconhecer que a História é um círculo de repetições, sendo que essa ignorância lhes vai sair cara, certamente!
Dois terços dos portugueses votaram à direita; Portugal quis sair do socialismo, mas o socialismo não sai de Portugal!
Tudo por culpa da direita envergonhada!