terça-feira, 21 jul. 2026

Os marcos da cultura local no junho português

No mundo atual, há sempre o risco de fechar cada geração em si mesma, na cultura produzida no seu próprio tempo. E a este conceito disruptivo, Cascais apõe como alternativa a sua histórica cultura intergeracional, assente na união das comunidades. 

Em Portugal, entrar no mês de junho é passar as portas de um mundo em celebração. Em diversos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, comemoram-se as tradições locais proliferadas nas zonas mais históricas de cada cidade, para onde cidadãos e turistas são convidados a dirigir-se ao longo de todo o dia.

Seja qual for a sociedade em causa, a sua cultura é sempre gerada de baixo para cima. É nas pessoas que começa e é nas pessoas que acaba; e é nas comunidades locais – das juntas de freguesia às autarquias, passando pelas instituições intermédias – que encontra o seu primeiro mediador significativo. Por outras palavras, aqui, o poder central não chega a tocar com as suas inúmeras mãos.

No Município de Cascais, estas celebrações tornaram-se célebres sob o cognome de ‘Marchas Populares’. Entidades dos mais variados domínios – da ação social à segurança, da música ao desporto –, cantam em palco sobre os tesouros das suas vilas e comunidades, sobre a história que construíram e que esperam construir no futuro. 

Mas no ano em que o lema celebrado é a Capital Europeia da Democracia, os marcos de uma cultura festiva também passam pelas ruas e os parques do nosso concelho. Com pessoas e associações de toda a parte reunidas, há desfiles nas ruas, arraiais para famílias, crianças e jovens e a tão esperada Procissão de Santo António, tradição inesquecível do dia 13 de junho. Porque a cultura é exatamente isto: as práticas e formas de vida dos cidadãos de uma comunidade, que se refletem nas suas artes e nos seus valores.

No mundo atual, há sempre o risco de fechar cada geração em si mesma, na cultura produzida no seu próprio tempo. E a este conceito disruptivo, Cascais apõe como alternativa a sua histórica cultura intergeracional, assente na união das comunidades. 

No nosso território, pessoas de todas as idades e famílias de todos os feitios colaboram entre si para consolidar a corrente que as une desde há muito. É, pois, daqui que vem o património que tantos tentam preservar nos dias de hoje – as práticas do dia-a-dia de cada um, as artes que exercem, os desportos que praticam, os lugares que frequentam. 

Se no mundo político atual, a intenção de quem governa é valorizar estas riquezas, o segredo está em preservá-las. E, seja em terra ou no mar, isso passa não pelas mãos do poder central, mas pela mente criativa de cada cidadão. Junho é nada mais, nada menos, do que o mês em que o vivemos e experimentamos.

Presidente da Câmara Municipal de Cascais