quinta-feira, 16 abr. 2026

Não há reforma nacional do desporto sem os municípios

O desporto não é só uma arena de competição. É um espaço de tradição, onde se transmitem valores como a lealdade, a amizade, a coragem e a superação individual e coletiva.

Estará a população portuguesa consciente e sensibilizada quanto ao impacto da prática de atividade física na sua saúde e bem-estar emocional? Os números nacionais disponibilizados são, no mínimo, preocupantes. Incentivar a prática de desporto, começando nas crianças, é urgente. Por isso, exige-se hoje reformar a prática da atividade física nacional.

Para combater este problema, o Governo atual previu um investimento de 58,7 milhões de euros no desporto no Orçamento de Estado. Este, somado aos 5 milhões recentemente injetados neste setor e aos 65 milhões previstos no contrato-programa para Desporto 2024-2028, constitui um investimento de 128,7 milhões de euros neste domínio.

Estes valores já permitem implementar várias medidas para reformar o desporto em Portugal, como a realização de campanhas nacionais de sensibilização para a prática desportiva, o apoio financeiro aos atletas e o incentivo à criação de Conselhos Municipais de Desporto. Porém, o Governo não percorre este trilho sozinho. Terá sempre de ter os municípios a seu lado, enquanto principais bastiões da aplicação destas medidas.

E isto não é assim por acaso. É assim porque, na realidade local, a proximidade face aos cidadãos é sempre uma vantagem, que se manifesta de várias formas. No caso do desporto, este benefício observa-se no espírito de ação dos cidadãos, sobretudo dos mais jovens. Com a prática de atividade física, vemos que os cidadãos agem com maior dedicação, maior sentido de responsabilidade e, acima de tudo, maior espírito comunitário.

Quando se fala na aposta no associativismo desportivo, é, pois, disto que se trata: da aposta em valores que a atividade desportiva, pela sua própria natureza, transmite a todos os que a exercem regularmente, seja a nível individual ou coletivo.

Em Cascais, estes princípios são cultivados há muito. A praia, o sol e o mar dão-nos sem dúvida mais capacidade de oferta desportiva. Mas não é pela sorte que se chega ao sucesso; é sobretudo pelo trabalho. E no nosso município, esta realidade tem sido evidenciada. Com iniciativas como o Programa de Apoio ao Associativismo Desportivo, apoiamos financeiramente associações e clubes com as suas despesas e as suas infraestruturas, assegurando o seu futuro. Nas escolas, o projeto ‘Desporto na Escola’ permite às crianças e aos jovens praticarem desporto com regularidade. E depois, com programas como o ‘Cascais Ativo’, competições municipais como o ‘Troféu de Atletismo de Cascais’ ou eventos que ligam o desporto ao voluntariado, apelamos aos cidadãos de todas as gerações que o desporto esteja presente nas suas vidas.

O desporto não é só uma arena de competição. É um espaço de tradição, onde se transmitem valores como a lealdade, a amizade, a coragem e a superação individual e coletiva. A atividade física promove a formação de cidadãos mais ativos e responsáveis e comunidades mais robustas e solidárias. Sem desporto, não há futuro. E sem ação dos municípios, não há desporto; pois a sua reforma passa por eles.

Presidente da Câmara Municipal de Cascais