A forma como nos relacionamos com a natureza diz muito sobre quem somos. Tal como as relações humanas sustentam as nossas comunidades - famílias, municípios e Estado -, também a forma como cuidamos do meio ambiente reflete o nosso modo de viver em sociedade.
Por isso, quando falamos de sustentabilidade na economia, não estamos apenas a discutir metas ou indicadores. Estamos a falar de equilíbrio, de responsabilidade e de uma forma mais harmoniosa de viver com o território em que habitamos.
Mas hoje, nos debates em que a sustentabilidade é o tema de eleição, não se discute este aspeto tanto quanto se discutem metas. Neste domínio, os Estados fixam objetivos concretos a atingir a fim de satisfazer as expectativas das empresas e, em certa de medida, das instituições internacionais. Não é raro aludir-se, por exemplo, à necessidade de atingir a neutralidade carbónica até 2030 ou de conceder benefícios às empresas promotoras da sustentabilidade, muitas delas reunidas no mercado dos green bonds.
Do ponto de vista económico, os Estados podem usar estas metas como alavancas para crescerem nas próximas décadas. Fixar objetivos concretos como os mencionados já é, por si só, uma vantagem competitiva considerável que beneficia as comunidades políticas. E isto é natural.
Aliás, quando um território define claramente o seu rumo, torna-se mais credível, mais previsível e mais atrativo. Famílias, empresas e parceiros confiam mais quando sabem que há uma estratégia consistente a guiar o futuro.
Atualmente, a consequência mais direta deste fenómeno é o aumento da atração de capital nacional e estrangeiro para os Estados e para as cidades. Se forem capazes de fixar metas realistas, que convençam agentes económicos e políticos, nacionais e internacionais, as comunidades políticas serão alvo de investimento contínuo que podem, depois, usar para a criação e implementação de novas políticas inovadoras em todos os domínios.
O resultado é visível: cidades e países que apostam na sustentabilidade conseguem atrair mais investimento e criar melhores condições para inovar e crescer.
Em Cascais, temos seguido esse caminho. Iniciativas como o Fundo AdaptCascais e o Fundo Verde Cascais, dirigidas a empresas e famílias, têm permitido mobilizar investimento para projetos que protegem o ambiente e dinamizam a economia, como o Hub da Economia Azul ou o apoio à inovação sustentável das empresas locais.
É esta a lógica de um território moderno e empreendedor: não esperar, mas agir; não reagir, mas liderar. Hoje, a sustentabilidade não é apenas uma preocupação ambiental. É um pilar essencial da competitividade e uma base sólida para o futuro.
Presidente da Câmara Municipal de Cascais