Se a primeira questão passa por perceber quantos polícias são necessários, a segunda talvez seja ainda mais preocupante: quantos polícias continuarão efetivamente ao serviço nos próximos anos.
A PSP enfrenta atualmente um significativo envelhecimento do seu efetivo. Uma parte substancial dos seus profissionais encontra-se em condições de transitar para a pré-aposentação ou para a aposentação num horizonte relativamente próximo. Esta realidade cria uma pressão sem precedentes sobre a capacidade operacional da instituição.
Importa compreender que o problema já não é apenas recrutar para aumentar efetivos. Em muitos casos, o recrutamento será necessário apenas para compensar as saídas previsíveis. Ou seja, mesmo mantendo o atual número de polícias, a PSP terá de realizar um esforço de admissão que poderá não ter paralelo nas últimas décadas.
Este desafio surge num contexto particularmente exigente. Portugal tem vindo a registar um crescimento populacional significativo, impulsionado pela imigração e pela fixação de novos residentes. Paralelamente, o turismo continua a bater sucessivos recordes, aumentando a população efetivamente presente em muitas cidades durante largos períodos do ano.
A estes fatores juntam-se grandes eventos internacionais que exigirão elevados níveis de segurança. A realização do Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 será certamente um dos mais relevantes, mas não o único. Concertos, festivais, eventos desportivos e cimeiras internacionais geram uma procura acrescida de recursos policiais e obrigam a um planeamento de longo prazo.
Contudo, a necessidade de recrutamento esbarra numa dificuldade crescente de atrair candidatos. As exigências da profissão, a exposição pública constante, a concorrência de outras carreiras da Administração Pública e do setor privado, bem como a dificuldade de acesso à habitação nas áreas metropolitanas, reduzem a atratividade da carreira policial junto das gerações mais jovens.
O resultado é um problema particularmente complexo: ao mesmo tempo que aumentam as necessidades de segurança, diminui a capacidade de substituir os profissionais que abandonam o serviço ativo.
Se nada for feito, a discussão deixará de ser quantos polícias são necessários para responder às exigências da sociedade. Passará a ser uma questão mais elementar: quantos estarão disponíveis para assegurar o serviço mínimo exigível. E é neste contexto que importa discutir uma solução frequentemente esquecida (não por nós): a substituição de polícias por técnicos civis em funções que não exigem poderes de autoridade.