O que fica de 2025?

As perspetivas passam por transformar o que aprendemos em ação, ideias em execução e intenções em resultados

Querida avó,

Já estamos a entrar na segunda semana de 2026. No entanto, creio que ainda vamos a tempo de refletir sobre o que ficou do ano anterior.

2025 foi um ano em que partiram imensas pessoas que contribuíram, de forma indelével, para a nossa Democracia e Cultura. José António Saraiva, Francisco Pinto Balsemão, Maria Teresa Horta, Eduardo Gageiro...

Nuno Guerreiro, Olga Cardoso, Anita Guerreiro, Clara Pinto Correia e Glória de Matos, são apenas algumas referências a personalidades, nacionais, que deram um grande contributo para aquilo que somos hoje.

As mortes de Diogo Jota, Pinto da Costa e Jorge Costa deixaram de luto o mundo do futebol português.

A nível mundial, creio que a maior perda foi a do Papa Francisco. Deixou-nos um belíssimo legado! O seu pontificado, (que durou 12 anos) foi marcado por uma Igreja mais aberta e voltada para as “periferias”. Focado na misericórdia, na justiça social e na proteção dos mais vulneráveis e da “casa comum” (o ambiente).

2025 foi aquele ano que começou cheio de esperança e de planos bem-intencionados (como todos os anos). Tentámos prever tudo, falhámos em grande parte das previsões. O mundo faz questão de nos lembrar que “não devemos ter planos para a vida, pois a vida tem planos para nós”. (Re)descobrimos que nem toda a urgência é urgente, e que dizer “sim” a tudo é uma excelente forma de não fazer nada em condições.

A tua exposição foi itinerante pelo país, Ao longo de 52 semanas escrevemos crónicas para o jornal Sol.

O nosso Ruy de Carvalho assustou-nos, no final do ano. Mas como o próprio faz questão de repetir: «Não há bicho que dê no Carvalho!».

E 2026? O que irá mudar?

Acredito que possamos voltar a ver o Ruy a representar. Tem como objetivo viver até aos 100 anos, a trabalhar.

As perspetivas passam por transformar o que aprendemos em ação, ideias em execução e intenções em resultados.

Bom ano.

Bjs

 

Querido neto,

Durante anos, nunca me lembro de ter pensado no mês de dezembro, como o último do ano. Devido ao meu trabalho, só existiam anos letivos. Tinham início em setembro e terminavam em junho. Com o tempo as coisas mudaram.

2025 foi embora de fininho, como quem diz “fiz o que deu”. Efetivamente, nem tudo aconteceu conforme o planeado. Faz parte! Ficam as gargalhadas que surgiram nos momentos mais improváveis, as conversas longas que curaram mais do que qualquer medicamento e as pausas forçadas que nos ensinam a desacelerar.

Ficam também os erros (esses não pediram permissão para ficar), com eles vem a experiência e a esperteza.

2025 deixa saudades do que foi bom, alívio do que passou e gratidão pelo que ensinou. Deixa histórias para contar, metas riscadas da minha agenda (que nunca largo, como sabes) e saudades dos que partiram. É sempre assim.

Agora chega um novo ano, cheio de páginas em branco e promessas recém-saídas da embalagem (a nossa cabeça). Que ele venha com mais leveza, coragem para mudar o que precisa, paciência para aceitar o que não depende de nós e alegria nas pequenas vitórias do dia a dia. Com a minha idade, que traga saúde e motivos simples para sorrir, acima de tudo.

Que o novo ano não seja perfeito – só seja real e um pouco melhor. Que possamos trazer o melhor de 2025… deixando o resto descansar.

Já sabemos que pão, carne, peixe e ovos vão ficar mais caros. Assim como as rendas e as casas, os seguros, os combustíveis… Aliás, como acontece todos os anos.

Também já sabemos que a situação nos hospitais vai continuar caótica.

Se a Maria e o José chegassem agora a Portugal, montados no burrinho, certamente iriam encontrar encerrado o serviço de obstetrícia. Passados 2025 anos, o menino voltaria a nascer num estábulo. Aleluia.

Há situações que se repetem ano após ano.

Bom ano.

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