terça-feira, 18 ago. 2026

Montenegro garante que Governo vai continuar a arriscar: “Portugal tem de perder o medo de falhar”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta quarta-feira que Portugal deve "perder o medo de falhar" e assegurou que o Governo continuará a tomar decisões com risco, mesmo admitindo que "aqui ou ali as coisas possam correr menos bem". As declarações foram feitas no Encontro Ciência e Inovação 2026, em Lisboa, onde também respondeu às críticas sobre a valorização da Administração Pública
Montenegro garante que Governo vai continuar a arriscar: “Portugal tem de perder o medo de falhar”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta quarta-feira que o Governo vai manter uma estratégia assente na inovação e na capacidade de assumir riscos, defendendo que Portugal precisa de abandonar o receio de falhar para conseguir crescer e competir num contexto internacional cada vez mais exigente.

Durante a intervenção no 1.º Encontro Ciência e Inovação 2026, realizado no Centro de Congressos de Lisboa, em Lisboa, o chefe do Executivo recorreu à investigação científica como exemplo da atitude que considera necessária para o desenvolvimento do país.

"O país tem de arriscar. Investigar é arriscar. O país tem de ousar. Inovar é ousar. O país tem de perder o medo de falhar, porque só quem não tem medo de falhar é que consegue acertar verdadeiramente", afirmou.

Sem fazer qualquer referência direta aos problemas que têm marcado a correção digital dos exames nacionais do ensino secundário, Montenegro utilizou a ciência para defender uma cultura de experimentação e inovação também na ação governativa.

"Mesmo que as coisas corram menos bem, vamos arriscar"

Ao longo da intervenção, o primeiro-ministro reconheceu que nem todas as decisões políticas produzem os resultados esperados, mas insistiu que isso não deve impedir o Governo de avançar com reformas.

"Também aí não nos importamos de arriscar. Mesmo que aqui ou ali as coisas possam correr menos bem, nós vamos arriscar na mesma", afirmou, justificando essa opção com aquilo que classificou como uma responsabilidade moral do Executivo.

Segundo Montenegro, o Governo deve dar o exemplo se pretende incentivar empresas, universidades e cidadãos a inovarem e a assumirem riscos.

O líder do Executivo acrescentou ainda que as decisões políticas devem ser sustentadas na realidade e orientadas para o futuro, mesmo quando não existe consenso absoluto.

Primeiro-ministro rejeita críticas sobre valorização da Administração Pública

Na mesma intervenção, Luís Montenegro respondeu às críticas de quem considera que a estratégia de valorização da Administração Pública tem motivações eleitorais.

O primeiro-ministro rejeitou essa leitura, defendendo que o investimento nos trabalhadores do Estado visa melhorar a qualidade dos serviços públicos.

"A valorização da administração pública é um investimento no serviço prestado ao cidadão, no serviço prestado à empresa e à sociedade", afirmou, sublinhando que o objetivo é tornar o Estado mais eficiente e capaz de responder às necessidades dos portugueses.

Investigadores protestaram contra a precariedade na ciência

À chegada ao Centro de Congressos de Lisboa, Luís Montenegro foi abordado por representantes de uma concentração de investigadores científicos que reivindicavam o fim da precariedade na investigação.

Os manifestantes alertaram o primeiro-ministro para a insuficiência do financiamento destinado à ciência e para a situação de bolseiros que permanecem em condições precárias há cerca de duas décadas.

A comunicação social não acompanhou a conversa entre os investigadores e o chefe do Governo. Também no final do evento, Luís Montenegro deixou o local sem prestar declarações aos jornalistas.