A corrupção é um dos maiores flagelos que afetam a humanidade, trata-se de um desvio de dinheiro que se traduz num verdadeiro imposto oculto. Pois, os cidadãos e as empresas não têm apenas que pagar o preço do serviço ou do bem, têm de pagar também ao intermediário que «facilitou» a concretização do negócio.
Além de que a corrupção tem um verdadeiro impacto na competitividade da economia ao tornar os bens e os serviços mais caros, e provocando também efeitos sociais devastadores ao concentrar recursos nas mãos apenas de alguns cidadãos, inevitavelmente os menos sérios.
Esta atividade criminosa provoca: a degradação dos serviços públicos, uma vez que o «imposto» que é pago aos corruptos faz com que a administração pública tenha menos recursos; a insegurança, quando são atingidos órgãos de segurança interna e de justiça, os cidadãos ficam, inevitavelmente, menos protegidos; a pobreza sistémica, porque a sonegação de recursos à sociedade afeta essencialmente os mais desfavorecidos, dificultando a sua saída de um ciclo de pobreza; e erosão do Estado de direito, pois as leis passam a ser aplicadas de forma seletiva, beneficiando que tem poder ou dinheiro para subornar o sistema; e a perda de confiança, quando os cidadãos deixam de acreditar nos seus representantes, a democracia enfraquece, fica aberto o caminho para o aparecimento de partidos e movimentos autoritários pouco democráticos.
Diferente dos efeitos nefastos provocados pela corrupção, é a perceção que os cidadãos têm deste fenómeno. No índice da perceção da corrupção (IPC) publicado pela Transparency Internacional, Portugal têm vindo a piorar a sua classificação. Em 2025, ocupou o 56º lugar com 46 pontos. O primeiro lugar é ocupado pela Dinamarca, com 89 pontos, e o último, pelo Sudão do Sul e pela Somália, com 9.
Para a sua formação, o IPC agrega dados de 13 fontes externas, incluindo instituições como o Banco Mundial e o Fórum Económico Mundial, indo a escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito integro) e avalia, nomeadamente: a facilidade de comprar decisões (suborno); o uso de dinheiros para fins privados (desvio de verbas); a nomeação de parentes para cargos públicos (nepotismo); a aplicação de penas a agentes implicados em casos de corrupção (proteção legal); e o acesso dos cidadãos a bases de dados públicas relacionadas com esta matéria.
O IPC não é uma sondagem sobre corrupção, o que o IPC pretende avaliar é a qualidade das instituições dos países que fazem parte do índice.
Pode verificar-se pela os lugares cimeiros do índice são sistematicamente ocupados pelos mesmos países.
Em 2025, a Suíça ocupou o honroso sexto lugar com 80 pontos e, nos anos anteriores, ocupou igualmente lugares cimeiros. Todavia, este país é conhecido por ter um sistema bancário opaco, onde são escondidos avultados montantes provenientes líderes países do terceiro mundo. Existindo a suspeita de que muitos desses montantes serem provenientes de corrupção.
Singapura, no mesmo ano, ocupou um ainda mais honroso terceiro lugar, com 84 pontos, tendo ocupado nos anos anteriores lugares idênticos. Mas, de acordo com as investigações e notícias relativas ao colapso do Grupo Espírito Santo (GES), o último líder deste grupo possuía contas bancárias e verbas significativas neste país. Segundo foi noticiado, possuía 30 milhões de euros naquela praça financeira e as referidas verbas eram provenientes do chamado «saco azul» do GES, sendo utilizadas para pagamento de «liberdades» e complementos salariais.
Sendo que as «liberdades» muitas vezes estão associadas ao crime de corrupção e uma das pessoas que, segundo o Ministério Público recebia complemento salarial era um cidadão que recebia o referido complemento enquanto exercia as funções de Ministro da Economia.
O Reino Unido, ocupou o 20º lugar no IPC, uma posição um pouco menos honrosa, mas igualmente invejável, sendo que nos anos anteriores ocupou posições idênticas. Todavia, em 2006 um consócio liderado pelo Reino Unido vendeu 72 aviões Eurofighter à Arábia Saudita, no âmbito do acordo «Al-Yamamah».
No âmbito deste acordo surgiram evidências de que a empresa britânica BAE Systems manteve um «sulsh fund», fundo de reserva, de centenas de milhões de libras para subornar membros da família real saudita.
Ninguém põe em causa que a Suíça, Singapura e o Reino Unido têm instituições sólidas e democráticas, mas ter instituições sólidas e democráticas não significa que estas funcionem segundo bons propósitos.