Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português fizeram questão de tornar público o distanciamento em relação à atribuição da Ordem Europeia do Mérito ao antigo primeiro-ministro e Presidente da República Aníbal Cavaco Silva. Em Estrasburgo, Catarina Martins e João Oliveira verbalizaram as razões pelas quais consideram que Cavaco Silva não deveria estar entre as 20 primeiras personalidades (e único português) agraciadas com a distinção enquanto lídimo europeísta.
Pasme-se, para a eurodeputada bloquista e para o eurodeputado comunista, Cavaco é o responsável por muitos dos principais problemas que Portugal ainda hoje enfrenta.
Disseram-no convictamente, tornando ainda mais censurável a desfaçatez dos impropérios.
A extrema-esquerda tem um ódio cego aos líderes do centro-direita e da direita, tanto maior quanto mais bem sucedidos forem ou maior for o seu contributo para o bem do país e do povo.
Está-lhe no sangue, faz parte do ADN, é mais forte do que a razão.
Como Cavaco Silva, também Pedro Passos Coelho apanha pela medida grande sempre que abre a boca para alertar que pelo rumo que o país leva – ou melhor, pela falta dele – não vai a lado algum.
E tem-no dito e repetido.
Como Cavaco também.
A distinção de Cavaco Silva com a Ordem Europeia do Mérito não podia ser mais justa. E bem esteve o Presidente Seguro no elogio público e na afirmação de que a Europa precisa de homens «com a visão e a determinação» de Cavaco.
É um facto!
E aí está por que António José Seguro custou tanto a engolir à esquerda quando se candidatou a Belém.
Em boa verdade, nem a cegueira ideológica poderá reescrever a História: Cavaco Silva foi o principal e mais marcante líder político destes 50 anos de democracia. Com 10 anos como chefe do Governo (década em que o país mais cresceu e mais convergiu com a Europa) e mais 10 na Presidência da República (estes sem deixar uma marca para o futuro). E é dele o feito único de ter conseguido quatro vitórias eleitorais com maiorias absolutas (duas em legislativas, nos anos 80 e 90 do século passado, e outras duas em presidenciais, já neste novo milénio).
Se isso pode explicar a frustração das esquerdas – ainda que Cavaco seja daqueles sociais-democratas que se auto-posicionam no centro-esquerda – , já o mesmo não se aplica a Pedro Passos Coelho.
Passos governou em maioria absoluta entre 2011 e 2015 mercê de uma coligação pôs-eleitoral com o CDS de Paulo Portas. E conquistou o direito a formar novo mas fugaz Governo em 2015, porque minoritário e sem apoio bastante para evitar ser apeado pelo golpe parlamentar da ‘geringonça’ que serviu de boia de salvação política para António Costa.
E as condições em que governou – de austeridade – foram previamente definidas pelo acordo de resgate financeiro imposto pela troika na sequência da bancarrota a que os Governos socialistas de José Sócrates tinham conduzido o país.
Seja como for, quando Passos fala, a esquerda logo sai a terreiro. Agora, de uma forma mais reativa e epidérmica até do que quando Cavaco intervém.
Porque, para as esquerdas, se Cavaco Silva e Passos Coelho representam tudo o que mais odeiam, Cavaco já é passado enquanto Passos Coelho é uma ameaça para o futuro.
É compreensível!
O que já não o será é que ao centro-direita e à direita não se faça a devida justiça a estes dois líderes políticos referenciais, cuja ‘visão e determinação’, nas palavras do Presidente Seguro, fazem falta ao país.