Piaget dizia que a lógica era a moral do pensamento, assim como a moral é a lógica da acção. Ora, não se percebe como é possível pessoas, que não devem ser desprovidas de inteligência e de moral, não perceberem que uma crise global, numa era global, necessita de medidas globais para a sua resolução.
Claro que é evidente que tal pressupunha um projecto global, solidário, entre todos os cidadãos Europeus e não, como foi o caso, entre alguns dirigentes que se aproveitaram do Ideal de Jean Monnet para um projecto pessoal, com emprego de “prestígio” e bem pago. Sempre o dissemos e escrevemos aqui e só agora começam a aparecer vozes que finalmente dizem que, afinal, tem de ser um projecto que depende da vontade e empenhamento das pessoas, dos cidadãos europeus.
Pois é, mas como é que isso vai ser possível se a história e a memória das pessoas não podem se apagadas?!?
É que há muitas diferenças, muitas críticas, muitos ressentimentos e, sobre tudo, grandes assimetrias na maneira de pensar e estilos de vida. Desde a política, passando pela religião, até à organização da família, educação, saúde e solidariedade social, tudo é diferente porque a concepção da responsabilidade social e a preservação da intimidade da vida privada das pessoas tem que ver com o sistema político e os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, alguns habituados a regimes democráticos, outros nem por isso…
Devia-se ter começado por aí, mas, infelizmente, o egoísmo e o oportunismo de alguns falaram mais alto e o resultado está à vista. É o impasse, a dúvida e o agravamento da crise, já que as pessoas, os cidadãos, estão a perder a esperança e a assistir ao alargamento da corrupção, a todos os níveis, sem que se encontrem dirigentes políticos competentes e sérios, capazes de levar esta Europa por um rumo que acabe num porto de abrigo para todos e não só para alguns.
Aqui somos obrigados a falar, novamente, em solidariedade, em empatia e, também, em generosidade. É preciso entender que a Paz, hoje, é um “projecto” que tem de ser pago e que fica muito mais barato que qualquer Guerra. Então, necessitamos de “negociadores” com experiência e, sobre tudo, com a ambição de um projecto humanitário que traga Paz à Humanidade, mas também o crescimento e o desenvolvimento, ingredientes indispensáveis ao bem-estar social que permita às pessoas um mínimo de dignidade compatível com a condição de Ser Humano.