terça-feira, 18 ago. 2026

Ser ou parecer

É um fenómeno inquietante para qualquer cidadão preocupado com o que se está a viver, que faz lembrar a discussão entre dois médicos que discutiam a diagnóstico da doença de um paciente e que, na ausência de consenso, o mais sabedor e sensato adiantou: muito bem, na autópsia veremos quem tem razão!

O irracional é aquilo que não nos parece ser racional. Claro que o racional se apoia muito na “lógica” e esta, como é sabido, é “a Moral do raciocínio”, enquanto que “a Moral é a lógica da acção” (Piaget). Quer isto dizer que entre o ser e o parecer há toda a diferença entre o que é, de facto, e aquilo que nos parece, ou que julgamos que é, mas que na realidade não é!

Realidade, ficção, verdade, alienação, fuga do real, tudo isto por vezes se confunde com “estados de alma”, ou seja, com “humores”, que são um dos sistemas (humoral) fundamentais da “interação humana”, a par do sistema nervoso e hormonal, e que são responsáveis pela nossa “linha” de raciocínio e de acção.

Embora levando em linha de conta aquilo que foi adiantado, é difícil para qualquer pessoa, mesmo que treinada na arte do raciocínio, destrinçar entre a realidade e a ficção em certas situações. Fica-nos a impressão de que Portugal e a Europa, nesta conjuntura, têm confiado mais em pessoas que “projectam” cenários económicos e outros sem apoio científico e experiência prática no campo social suficientes e menos em “mentes” já premiadas, e outras, com experiência e provas dadas, muito acima da média.

É um fenómeno inquietante para qualquer cidadão preocupado com o que se está a viver, que faz lembrar a discussão entre dois médicos que discutiam a diagnóstico da doença de um paciente e que, na ausência de consenso, o mais sabedor e sensato adiantou: muito bem, na autópsia veremos quem tem razão!

Só que não se pode deixar “morrer” um país inteiro só porque nos parece que deve ser assim. E quando os resultados económicos, em números, vêm demonstrar que não pode ser assim, porque assim cada vez o “desvio” é maior, qual a razão da insistência? Será um acto inteligente ou apenas um palpite? E se, de facto, falhar o autor, ou autores, irão para a “guilhotina”? Ficarão impunes e sem qualquer castigo? Ou seremos “nós” que deveremos ser castigados pela nossa estupidez e passividade?