Não se compreende que o Ministério da Educação mantenha, sob a sua orientação, uma actividade física como disciplina académica para os alunos dos ensinos primário, secundário e superior, a que no século passado chamavam Ginástica, Educação Física e, mais recentemente, Motricidade Humana, e cuja actividade se mantém, hoje, com uma grande carga negativa, que quase funciona como uma actividade acéfala.
O Ministério da Educação é, hoje, dirigido de forma inteligente, democrática, racional e com uma preocupação principal que é contribuir para a melhor formação possível dos alunos levando ao mesmo nível os factores Educação, Instrução e Formação de carácter, como dizia Fidelino de Figueiredo. Hoje, esta disciplina deverá chamar-se Cinesiologia Educativa. Ou seja, movimento educativo.
Assim, em termos racionais, ninguém deve, atualmente, mexer numa máquina, qualquer que seja, sem perceber como deve funcionar e qual o seu objectivo. É a norma, hoje, a seguir no mundo do trabalho; aprender a trabalhar com as máquinas antes que elas provoquem danos irreversíveis ao ser-humano.
O que queremos dizer com isto é que para mexer na máquina humana, que é o Homem, é preciso, em primeiro lugar, estudá-la, caso contrário haverá várias mortes; e foi o que aconteceu na Academia Militar, quando um Comandante, por vingança, acabou com 2 disciplinas do currículo da Academia Militar, por não gostar do Professor docente das cadeiras. Resultado: morreram 2 Comandos por incompetência de quem dirigia a instrução, porque não estudaram o corpo humano. É triste assistir, por vingança pessoal, a duas mortes de dois comandos porque um Comandante da Academia Militar resolveu acabar com duas disciplinas fundamentais no treino físico: “Desenvolvimento e Adaptação Motora” e “Metodologia do Treino”. E mais triste ainda é que não houve consequências ou alterações após as investigações!
A questão da disciplina educativa de “Cinesiologia Educativa”, nome actual (1964), tem de ter a atenção do Ministério da Educação em relação à forma como é dirigida que, actualmente, como é ministrada, está completamente desajustada aos objectivos da disciplina, tratando-se mais de uma disciplina de recreação que de formação educativa, como devia ser. O objetivo da disciplina de “Cinesiologia Educativa” é dar a conhecer aos alunos do ensino secundário, e talvez do ensino superior, como funciona o Corpo Humano, o que pode fazer, o que não pode fazer e, ainda, o que não deve fazer. Essa a missão do Ministério da Educação! Recreação não é Educação.
Somos também, há 40 anos, “Sociólogo do Desporto”, tendo estudado a interação entre a sociedade e o desporto e vice-versa e a actividade física da juventude tendo em vista o serviço militar, na óptica da defesa da Nação.
Aqui uma missão que do nosso ponto de vista deve caber ao “Ministério da Educação” coadjuvado com a “Juventude e Desporto”: a missão da disciplina de “Cinesiologia Educativa” não é formar ou produzir artistas de circo. E quem escreve isto foi saltador de “mesa alemã” do Ginásio Clube Português, além de professor, tendo sido dos melhores saltadores de mesa alemã da Europa e o primeiro português a realizar o duplo salto mortal na mesa alemã e o único, até agora, a realizar o triplo salto mortal na mesa alemã para o solo.
O desafio está lançado. Veremos como vai reagir o Ministério da Educação.